sábado, 16 de janeiro de 2010

Ciência também é arte - tomografias de Kai-Hung Fung

Publicado em Obvious por Camila Oliveira* em 16 jan 2010
Cavidade nasal

Quem já não observou uma tomografia ou um raio-X e ficou a olhar cada detalhe tentando entender e compreender o seu interior na real? Com exceção dos médicos e outros profissionais na área de saúde, há pouca gente que o faz porque tem receio de ver sangue fluindo de cortes profundos, fraturas, infecções e afins. Não estamos aqui a falar de nenhum filme de terror, mas sim de uma forma diferente e por que não eficaz no meio científico de ver o corpo de outra maneira.

Esta faceta foi feita pelo chinês Dr. Kai-Hung Fung, que trabalha no hospital Pamela Youde Nethersole Eastern, localizado em Hong Kong, onde desenvolveu a técnica chamada “arco-íris”, transformando meras tomografias computadorizadas em verdadeira arte colorida em 3D. Esta técnica foi, aliás, reconhecida pela revista Science.

Pelas palavras do Dr. Fung, não é utilizada nenhum programa de edição de imagens ou Photoshop. As imagens são produzidas de forma quase instantânea pelo próprio terminal de tomografias em 3D, onde ele acrescenta a pigmentação das tonalidades conforme o caso a ser estudado. O Dr. Fung sentiu a necessidade de fazer os exames laboratoriais de tomografias e raios-X ficarem mais claros e conclusivos e as nuances mostradas após a pigmentação melhoram sensivelmente estes estudos. No equipamento de ressonância magnética encontramos estas tonalidades e pigmentação apenas na tela do computador, ou seja, temos apenas estas nuances quando o paciente está realizando o exame.

Portanto a idéia é fazer com que esta mesma clareza que vemos na ressonância magnética esteja também em tomografias e raios-X. Tendo as pigmentações acrescentadas, o relevo e a formação do órgão, texturas das membranas, as ramificações das artérias e veias em toda sua extensão e cartilagens são analisadas na sua integridade funcional, e as formações ósseas são visualizadas em sua densidade. O processo é um facilitador anatômico para qualquer deformação ou não que venham a ter.

Não obstante a beleza do resultado final, o Dr. Fung tem a preocupação de preservar os dados e de nunca interferir no que é mostrado. As imagens já falam por si! E pensar que cada imagem trabalhada com esta técnica será exclusiva pois cada ser humano em sua totalidade em organismo é único! Podemos dizer que existe sim, uma beleza interior...

Coração
Membranas auriculares
Veias subcutâneas
Cordas vocais
Pulmões
Cérebro
* Camila Oliveira, 29 anos, brasileira, futura médica, curiosa por natureza, vivendo a vida sem tristeza, para escrever sobre diversos assuntos para testar minha destreza.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Simplicidade ao alcance de todos

Fazer algo com as próprias mãos pode tornar-se uma terapia

por Juliana Garcia*

PERSONARE

Muitas pessoas dizem que não têm tempo ou não podem iniciar um processo terapêutico, mas muitas também não percebem as oportunidades cotidianas de se cuidarem. Falta ânimo? Coragem? Atenção? O fato é que vai se deixando para depois, sempre para depois.

Atividades simples do dia-a-dia possuem grande potencial terapêutico, ou seja, nos ajudam a nos sentirmos e sermos melhores, a descobrirmos outras possibilidades.Assim é o trabalho manual. Primeiro pela simbologia das mãos para todos nós: elas trazem a ideia de construção, poder, criação, energia. Expressões como "botar a mão na massa" mostram as mãos como detentoras da ação. Tanto que ao precisarmos de ajuda "pedimos uma mãozinha". E se é necessário pensar em autocuidado é hora de "tomar a vida nas mãos".

Criar com as mãos é a possibilidade de concretizar, de expressar, dar vazão à criatividade. Atividades simples como cozinhar, bordar, escrever, esculpir e pintar ficaram sem espaço em nossas vidas no meio da correria da atualidade. "Para que cozinhar se o microondas faz tudo? Para que bordar se compro tudo que quero no shopping mais próximo?" No meio da praticidade fomos perdendo contato com nossa habilidade ancestral de dedicarmos tempo e espaço para o processo de criação. Reservar um momento para transformar os elementos calmamente, passo- a- passo. Viver o aqui e agora, entrar num estado meditativo de atenção total ao presente.
Mãos à obra

Bordando entramos num processo de ligar pontos, de ir e vir, de acessar tramas. Isso facilita muitos insights, além da satisfação de ver nossas mãos dando vida a algo. O exercício de bordar é uma grande metáfora do trabalho de viajar pelos conteúdos guardados no nosso inconsciente.

Cozinhando experimentamos o prazer dos sentidos, somos magos da transformação dos estados físicos, dos sabores, das junções. Precisamos escolher, experimentar, aguardar. Vamos ponderando e exercitando a sabedoria da doação. Tem coisa mais gostosa do que ver pessoas queridas se deliciando com o que fizemos?

Esculpindo empregamos energia para transformar algo bruto em uma obra. Vamos abrindo espaço dentro de nós para outras transformações que precisam ser feitas, com essa mesma energia, com precisão e inteireza. Assim também pode ser a pintura: um exercício de transformação, ao mesmo tempo carregado de fluidez. A união das tintas, que quanto mais líquidas, mais nos ajudam a lidar com a necessidade de controle dentro de nós. Se tivermos dificuldade em lidar com a imprevisibilidade, se nos virmos escravos do controle, talvez aí esteja uma atividade importante para exercitarmos a possibilidade de lidar com o imprevisível, com o novo que nasce na junção das cores, das texturas.

Escrevendo vemos caminhos se formarem, as palavras vão se ligando, liberando sentidos que poderiam estar escondidos para nós. A escrita pode ter o dom de libertar aquele nó no peito. Ela libera, desata, coloca pra fora.

O momento de entrega
Não importa o resultado, mas sim a delícia do processo. A riqueza está no tempo que dedica a algo prazeroso para você. Pode ser que numa primeira tentativa o bordado seja meio torto, a comida meio salgada, o texto um tanto perdido... Mesmo assim, vale mais o momento de entrega. Com exercício vamos nos familiarizando e até obtendo resultados melhores. Não é assim também na vida? Escolha uma atividade que lhe chame a atenção e vá. Se você é faz parte do time que se priva de experimentar com medo de não agradar, talvez esteja na hora de se libertar e se entregar ao imprevisível do trabalho com as mãos. Comece por concretizar as transformações do lado de fora. Assim, naturalmente, as mudanças internas começam a acontecer! Mãos à obra!
* Juliana Garcia é Psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quem tem fé vai a pé

Foto: Thiago Teixeira | Ag. A TARDE
Por Cleidiana Ramos

Milhares de baianos e turistas já estão no adro da Igreja do Bonfim para a lavagem das escadarias. A Lavagem do Bonfim é uma das festas mais populares do calendário do verão de Salvador e mistura fé e muvuca, bem do jeito baiano de ser.

É uma homenagem ao católico Senhor do Bonfim, ou Senhor da Boa Morte, uma devoção iniciada pelo capitão Theodósio Rodrigues de Farias, membro da Armada Portuguesa. Após sobreviver a um naufrágio no século XVIII, o militar resolveu construir uma igreja em agradecimento.

Logo, o templo virou endereço de romaria. O início da lavagem é ainda controversa, mas parece ter começado durante os preparativos para a grande festa em homenagem ao Senhor do Bonfim que acontece no domingo.

Mas o que a gente realmente percebe é um forte simbolismo com as homenagens a Oxalá, divindade do candomblé. O rito realizado nos terreiros é chamado de Águas de Oxalá, daí a presença das baianas no cortejo da lavagem levando na cabeça as quartinhas cheias de água de cheiro, preparadas com ervas especiais.

Aliás, para os devotos, a obrigação de andar os 7,5 quilômetros da Conceição até o adro da Igreja do Bonfim só está completa quando conseguem convencer uma das baianas a derramar sobre as suas cabeças um pouco de água de cheiro.

E, acreditem, tem até uma história envolvendo esta devoção com a Guerra da Independência da Bahia, ocorrida de novembro de 1822 a julho de 1823.

Este episódio é sempre contado pelo professor e historiador Cid Teixeira: durante o cerco das tropas brasileiras e a crescente tensão que se seguiu, pois os portugueses estavam sitiados em Salvador, o general português, Madeira de Mello, resolveu tirar a imagem da Colina Sagrada e levá-la para um convento no Terreiro de Jesus.

Era uma forma de tentar irritar as tropas brasileiras. A estratégia não deu o resultado que o general português queria e, quando o chamado Exército Libertador entrou na cidade no dia 2 de julho de 1823, uma das primeira providências foi levar a imagem de volta para o Bonfim em meio a uma grande festa.

Daí fica explicado o trecho do hino, que não é o oficial, mas aquele que ganhou a aprovação do povo, composto para comemorar o centenário da Independência:

“Glória a Ti, neste Dia de Glória/ Glória a Ti Redentor que há cem anos/Nossos pais conduziste à vitória, pelos mares e campos baianos”.

Para quem quiser saber mais sobre o lado afro religioso da lavagem vale conferir o livro Águas do Rei, do doutor em antropologia e professor da Ufba, Ordep Serra.

Haiti: um sofrimento que não passa

Terremoto é descrito como catástrofe.
Foto: EFE|Orlando Barría
por Cleidiana Ramos

A devastação provocada pela violência de um fenômeno natural- um terremoto- que assolou o Haiti e deixou um total aproximado de 100 mil mortos é mais um componente para alimentar a convulsão social que toma conta de um dos países da diáspora africana nas Américas.

É mais uma ocorrência extremamente triste e em um país que carrega uma forte simbologia de luta pela liberdade. O Haiti aboliu a escravidão em 1794 numa ação bem diferente da demais: pelas mãos dos próprios escravizados.

A liberdade chegou via o enfrentamento a um dos exércitos mais poderosos da época: o francês. A festa durou pouco pois seguiu-se um período de instabilidade, com a França recuperando seu papel de colonizador.

Um dos períodos mais conturbados da história do país foi o governo de François Duvalier, o Papa Doc e sua temida polícia política, os tontons macoutes. Papa Doc governou de 1957 a 1971 e foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, um outro período de terror que durou até 1986.

De lá para cá a história não é muito diferente: sucessão de golpes, tentativas frustradas de retorno da democracia, o óbvio agravamento da pobreza e as consequências de tragédias naturais como furacões e tempestades.

A atual face da crise começou em 2004, com a derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide por rebeldes. Foi então que a ONU aprovou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) que o Brasil lidera desde junho de 2004.

O que os militares basicamente fazem por lá é tentar diminuir a onda de violência, com destaque para os sequestros, promovidos pelas milícias.

Como é de se esperar o país está devastado, sem nenhum tipo de infra-estrutura. O atual presidente, René Préval, eleito em 2006, tem conseguido manter o cargo, mas ninguém se arrisca a dizer quando as forças da ONU vão realmente deixar o país.

O terremoto que está sendo considerado por especialistas uma catástrofe por conta da suas proporções ( 7 graus na Escala Richter, o equivalente à explosão de 30 bombas atômicas semelhante à que foi lançada em Hiroshima ) piora o que já era considerado inimaginável. A pergunta que todo mundo se faz agora é o que será deste sofrido país daqui para a frente.

Para quem deseja saber um pouco mais sobre os horrores do governo de Papa Doc tem o livro Os Farsantes, de Graham Greene. A obra virou denúncia contra os horrores cometidos por lá, a ponto de ter obrigado o ditador a tentar se explicar internacionalmente.

O livro virou um filme com o mesmo título do livro, dirigido por Peter Glenville,com as atuações de Elizabeth Taylor, Richard Burton e Alec Guiness

Diáspora de Luto 2

Fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, morreu por conta do terremoto.
Foto: Pastoral da Criança| Divulgação

Por Cleidiana Ramos

Mundo Afro

A Arquidiocese de Salvador divulgou uma nota expressando o seu pesar pelos acontecimentos no Haiti. A tragédia ganha conotações ainda mais próximas à comunidade católica por conta da morte de brasileiros, dentre os quais, a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, um dos mais bem sucedidos programas de combate à mortalidade infantil do mundo.

Quando a pastoral foi criada, em 1983, o hoje cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella, era o bispo de Londrina, Paraná, onde o programa surgiu e, portanto, ele é considerado também um dos seus fundadores. Reproduzo abaixo a nota divulgada pela Arquidiocese:

Nota de Pesar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia pelas vítimas do Terremoto no Haiti

A Arquidiocese de São Salvador da Bahia, na pessoa do Sr. Cardeal Arcebispo, Dom Geraldo Majella Agnelo, dos bispos Auxiliares, dos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e de todo o povo de Deus, sente-se profundamente entristecida com as consequências do terremoto que atingiu a já desafiada comunidade haitiana.

O povo do Haiti, em processo de reconstrução do país depois dos anos de exceção política, vê-se agora abatido por uma catástrofe de proporções inigualáveis. Empenhamos a nossa mais profunda solidariedade com nossos irmãos do Haiti, com orações e súplicas para que a reestruturação física acompanhe a recuperação humana e espiritual, mantendo viva a esperança e o espírito de luta tão próprios daquele povo.

A consternação pelo acontecido se amplia com a notícia da morte de brasileiros, entre os quais da Dra. Zilda Arns Neumann, médica, pediatra e sanitarista. Mulher que honrou o Brasil com seu trabalho de total doação à vida, através das crianças e suas famílias, Dra. Zilda deixa uma lacuna em nossos corações.

O sentimento de gratidão por todo bem que ela fez nos anos que lhe foram concedidos viver, deve despertar em todos nós um compromisso renovado em dar continuidade ao seu legado.

Diáspora de Luto 1

Foto: EFE

por Cleidiana Ramos

Mundo Afro

Esta tragédia que se abateu sobre o Haiti e que, a cada nova notícia, ganha contornos ainda mais dramáticos, é daquelas de deixar sem palavras, mesmo os que tem como ofício expressar emoções, acontecimentos e ideias por meio delas.

Que todas as forças ancestrais que acompanharam as variadas etnias africanas em todas as suas diásporas dê a força necessária ao já tão sofrido povo haitiano.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Crítica/"Saudações"

Gismonti dilui fronteira entre popular e erudito
IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Nelson Freire tocando Debussy é uma coisa, Claudia Leitte cantando "Exttravasa" é outra. Para além desses exemplos extremos, contudo, a música brasileira tem uma série de artistas que tornam tênue e diluída a fronteira entre o erudito e o popular. Um dos exemplos mais constantes e consistentes é o carioca Egberto Gismonti, 62.
Lançado no mercado internacional, "Saudações", último álbum do multi-instrumentista, é um disco duplo, no qual o segundo CD traz uma série de duetos de violões dele com o filho, o violonista Alexandre Gismonti. Privilegiando as proezas de velocidade e sonoridades ásperas e duras, eles revisitam, com virtuosidade, standards de Egberto, como "Palhaço" e "Dança dos Escravos".
Se você quiser algum tipo de classificação, quando toca com o filho, ele faz música popular instrumental. Contudo, se tiver que merecer alguma etiqueta, "Sertões Veredas - Tributo à Miscigenação", a obra ambiciosa e sofisticada que toma todo o primeiro disco do álbum, possivelmente tem que ser chamada de música erudita. Trata-se de uma vasta suíte em sete movimentos, com 70 minutos de duração, defendida com empenho e afinação pela Camerata Romeu, orquestra de cordas cubana integrada exclusivamente por mulheres e dirigida pela maestrina Zenaida Romeu.
Nela, Gismonti toma o universo de Guimarães Rosa como ponto de partida, e cruza, com seu idioma bastante peculiar, influências díspares, que vão desde as músicas folclóricas das diversas partes do Brasil aos universos de Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Villa-Lobos e Stravinski.
São mundos sonoros dentro dos quais o autor se move com desenvoltura e facilidade, e o diálogo entre eles acaba soando, portanto, natural e espontâneo, sem nada de forçado. O resultado é uma peça exuberante e contemporânea no melhor sentido do termo, e mais do que digna de figurar no repertório das orquestras brasileiras.

Ladrões de Bicicleta - Os Novíssimos Baianos

O cenário atual da música baiana é amplo. Bebe em fontes variadas e dialoga com diferentes vertentes da música de Carnaval, como a guitarra baiana, o afoxé e ritmos do candomblé. Apenas em 2009, foram lançados mais de 30 discos que revelam um novo momento de efervescência para a produção musical na Bahia

Por Pedro Alexandre Sanches
Os roqueiros do Ladrões de Bicicleta. O quarteto rock'n'roll passeia também por MPB, guitarra baiana e axé

"Talvez eu não entendesse Luiz Caldas ou Chiclete com Banana. Salvador era uma monocultura, você fazia isso ou ficava fora", diz o músico Ronei Jorge, numa reavaliação do passado recente da Bahia onde nasceu. "Hoje, os Retrofoguetes fazem surf rock misturado com música do Leste Europeu, têm uma festa chamada Retrofolia, tocam com Haroldo Macedo (do Trio Elétrico Dodô & Osmar). Eu já cantei marchinhas de Carnaval com eles." Passada uma geração do boom da axé music, Ronei Jorge e sua banda, Os Ladrões de Bicicleta, praticam hoje um rock'n'roll que não odeia MPB, guitarra baiana ou axé.

É evidente o refluxo dos excessos mercadológicos que centraram a música baiana na busca de cifrões astronômicos e restringiram a histórica riqueza local a uma quase-ditadura musical. A axé não perdeu seu posto de liderança, mas ventos de diversidade e pluralidade musical sopram na Bahia, e o êxito da banda Retrofoguetes é uma prova: até surf music se faz no berço de Dorival Caymmi, bossa nova, Tropicália e samba-reggae. E, após um período em que o axé foi a personificação do inimigo, músicos de hoje passam a revalorizar elementos daquela cultura. Exemplo loquaz é o trabalho do grupo Baiana System, fundado em reelaborações de guitarra baiana, do trio elétrico à lambada, com lugar até para algum tom de protesto.

Nova brisa musical sopra também com Dão e Caravanablack, um combo dedicado a inserir funk e soul na música baiana, em temas como Quilombolasoul, Saravaquelé (em homenagem a Clementina de Jesus) e Blackmusic. "Apesar de a Bahia ser um estado negro, um negrão bebendo mais no funk não é algo intenso por aqui", conta Gilberto Monte, produtor musical, ex-integrante do duo eletrônico Tara Code e gestor de políticas públicas de diversidade como diretor de música da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Funk e soul (e rock) também são matéria-prima da banda Radiola, e Macumba é o nome de um de seus afrofunks. O Clube da Malandragem rompe mais hábitos e traz o som do samba e do samba-rock, numa perspectiva mais Jorge Ben Jor que Novos Baianos. A influência do reggae permanece em primeiro plano, como se ouve no grupo Império Negro. Só aqui a misturança envolve música latina, tambores afro e MPB, rumo a uma aproximação com o hip-hop, em títulos mestiços como Oxente, Axé para Mulheres e Jah Bless. Mais ortodoxo no uso do hip-hop é o grupo O Quadro, de Ilhéus, de raps militantes como Gueto Absurdo e o grooveado Tropeços e Percalços.

A MPB é outro farol importante para os novíssimos baianos. Na terra de Maria Bethânia e Gal Costa, uma das vozes da vez é a de Mariella Santiago, cantora negra de presença forte e timbre aveludado, instalada entre a brancura da bossa nova e a negritude de jazz, soul e candomblé. Outra é a do cantor e compositor Paquito. "Eu descendo da Tropicália, o que me permitiu atuar na área do rock e produzir discos de samba", define-se. "Sou um artista de MPB, apesar de não gostar desse termo, com ligação grande com o universo do rock, o primeiro tipo de música que ouvi, via Roberto Carlos", emenda. Apaixonado por Luiz Gonzaga e pela música brasileira dos anos 30 e 40, ele fala do tempo em que começou: "Iniciei com uma banda de rock numa época em que fazer o mix com a canção brasileira era um sacrilégio. A banda, Flores do Mal, sofreu preconceito porque gostávamos dos tropicalistas em plena década de 80. Isso, felizmente, mudou, vide o reconhecimento do trabalho de Ronei Jorge". Na clave da modernização das MPBs se situam nomes como a brava cantora e compositora Rebeca Matta, o melancólico duo de bossa eletrônica Dois em Um, o grupo folk-rock-bossa-emepebista Teclas Pretas, o compositor Paquito e, hoje radicados fora da Bahia, os pós-tropicalistas Lucas Santtana, Márcia Castro e Damm & Formidável Família Musical.

São apenas exemplos. O traço que dá sabor de unidade a esses e dezenas de outros nomes é a renovação por meio da pluralidade, o que coloca a Bahia pop dos anos 2000, definitivamente, num rumo pós-axé.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A classe média da cultura

Foto Melinka
Na gestão Lula, o Ministério da Cultura só intensificou a tradicional política de balcão, que prometeu acabar. O novo ministro cede aos interesses dos grandes e investe numa nova clientela, representantes das populações mais pobres, que nunca tiveram acesso ao financiamento cultural. Enquanto isso, a classe média da cultura definha e agoniza.

A valorização dos saberes e fazeres do Brasil profundo é indispensável para qualquer projeto de desenvolvimento. Incluir essa nova clientela ao balcão do MinC é, sem dúvida, algo que devemos comemorar. O que não concordo é a maneira com que o governo faz isso. Os benefícios não são universalizados, como no bolsa-família, que considero uma política de emergência e importantíssima para o país. Apenas uma ínfima parcela dos promotores de cultura popular tem acesso aos benefícios.

O governo privilegia aqueles grupos mais preparados para enfrentar a burocracia estatal, já que não há nenhuma novidade na relação entre Estado e sociedade civil. Ou acaba os punindo, por não se adequarem à burocracia, como é o caso dos inúmeros pontos de cultura que sofrem com os já conhecidos problemas de gestão do MinC.

Embora os editais pareçam mais democráticos, eles apenas disfarçam os critérios de escolha de projetos, pouco transparentes, com o poder decisório nas mãos da esfera governamental. Uma sofisticação do velho clientelismo do Estado brasileiro.

O governo não tem ideia de como ativar economicamente os grupos populares por ele atendidos. Por enquanto, o interesse é empurrar com a barriga, deixar a solução para a próxima gestão. Ou correr o risco de ver tudo se perder nas mãos da oposição.

Fiz uma conta de padeiro, somando todos os prêmios, pessoas e organizações beneficiadas com os editais voltados às populações menos privilegiadas, como pontos de cultura e editais da secretaria da identidade e o Mais Cultura. Nos 7 anos de gestão do governo Lula, essa clientela não chega a 5 mil benefícios. No mesmo período o mecenato (modalidade da Lei Rouanet que envolve o investimento privado) atendeu 10 vezes mais projetos.

Os dados não são precisos, eu sei. Mas aí está o problema. Não temos dados precisos. Eles são manipulados de maneira vergonhosa pelo Ministério da Cultura. Na coletiva de imprensa para anunciar o projeto do Procultura, que não está disponível para os cidadãos, apenas para o José Sarney, o ministro nos disse que 95% do dinheiro investido pelas empresas em cultura é de origem pública e apenas 5% é privado. Acredito que uma pesquisa séria apontaria outra realidade.

Se levarmos em conta o investimento de todos os artistas em suas carreiras, grupos e companhias, o financiamento de empresas de mídia e entretenimento, os patrocínios, todos esses dados não levantados extrapolariam e muito o ínfimo e vergonhoso investimento estatal na área cultural.

O Ministério também não sabe dizer quantas empresas passaram a investir em cultura de forma estratégica, ampliando investimentos e colocando dinheiro do bolso para ações culturais ou promocionais que envolvam cultura. Quero lembrar que muitos artistas mantém pesquisas e projetos artísticos com o dinheiro provindo do mercado. Posso citar inúmeros exemplos disso.

Ou seja, desconhece os reais efeitos, positivos e negativos, do mecenato para o Brasil. Temos muitos artistas descontentes com os rumos do mecenato e com as dificuldades que os vícios do mercado gerou para os artistas. Eu sou um crítico histórico dos efeitos perversos da Lei Rouanet, mas não posso deixar de avaliar os reais impactos desse instrumento para a sociedade brasileira.

Utilizar as críticas para eliminar a única forma por enquanto existente para financiar o produtor médio de cultura no Brasil é um ato insano, que atenta contra os direitos culturais adquiridos pela sociedade brasileira, que devem ser ampliados. Quero lembrar que 65% dos projetos financiados pelo mecenato são de até R$ 150 mil.

Depois da derrocada do projeto da Ancinav, o Ministério só tem ampliado os benefícios das majors, empresas internacionais de entretenimento, que ampliam sua presença do mercado, antes restrita apenas à distribuição e exibição, para a co-produção com dinheiro público. Enquanto pretende eliminar os direitos da classe média, o Ministério concede mais e mais benefícios para o topo da pirâmide.

Mas o que tem de errado com a classe média? Ela é menos homogênea, mais difícil de ser cooptada. Ela grita, incomoda, combate, reclama, conscientiza e garante a liberdade de expressão necessária para a consolidação do Estado Democrático de Direito. E faz a vida de gestores populistas mais difícil.

Embora aponte para os privilegiados, ou para a elite cultural do país, o MinC com seu Procultura atinge em cheio a classe média.

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl.

Exposição Máscaras Afro-Brasileiras de Renatinho da Silveira

Lançamento dia 13 de janeiro de 2010, quarta-feira, a partir das 19 horas
Palacete das Artes - Rua da Graça, 284, Salvador-BA

Marcas de luxo apostam no ecofriendly e no artesanal

Depois da campanha da Louis Vuitton, é a vez de outra grife de luxo agregar valor com o apelo artesanal. A coleção 2010 da grife Chanel na linha ecofriendly abusa de matérias-primas como a madeira, ráfia e algodão. Acima, tamanco estilo holandês, broche de camélia e carteira com metalassê “rústico”.

Só falta agora abocanharem o nosso slogan: “feito à mão e exclusivo para você”. É uma concorrência desleal!

WORKSHOP COM O FOTÓGRAFO WALTER FIRMO

Sob a orientação de um dos maiores fotógrafos coloristas do país, você vai exercitar a sua criatividade e expressividade ao mesmo tempo em que se aperfeiçoa aprendendo a utilizar elementos das cores na composição das suas imagens. Aulas com projeções de trabalhos de fotógrafos brasileiros e estrangeiros e saídas fotográficas em grupo com análise posterior do material produzido.
De 1º a 4 de fevereiro de 2010, das 19 às 22 horas
Aulas práticas durante os festejos do dia 2 de fevereiro no Rio Vermelho
Local das aulas:
Estúdio Cristiane Oliveira
Rua Almirante Barroso, 284 - Rio Vermelho
Salvador-Ba
Maiores informações:
Instituto Casa da Photographia
Telefone: (71) 3243-6366
E-mail: adm@casadaphotographia.art.br
Site: www.casadaphotographia.art.br
Os participantes do workshop terão 10% de desconto na compra da camiseta para a tradicional feijoada do Instituto Casa da Photographia que será realizada no dia 02 de fevereiro de 2010, das 11h às 16h, na Rua Almirante Barroso, 284 - Rio Vermelho

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Zumbi tinha escravos e a origem da feijoada é europeia; leia trecho de best-seller

da Livraria da Folha

O "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", do jornalista paranaense Leandro Narloch, 31, entrou na lista semanal dos dez livros mais vendidos na categoria "não ficção", publicada neste sábado na Folha.

Como definir grosseiramente este livro lançado pela editora portuguesa LeYa? É uma espécie de "Freakonomics" da história do Brasil, ou seja, derruba mitos populares sobre heróis e episódios marcantes do país, sem rodeios, contrariando opiniões que, ao longo do tempo, cristalizaram-se como verdades inquestionáveis.

Sem apego patriótico, o autor se esforça para fornecer discursos alternativos para momentos-chaves. Ele tenta relativizar ideias marteladas em livros didáticos, minimizando as cores carregadas que costumam imprimir os relatos apaixonados de períodos como escravidão e a ditadura militar. Leandro Narloch foi repórter da revista "Veja" e editor das revistas "Aventuras na História" e "Superinteressante".

Ele colecionou algumas histórias intrigantes, mas também embasadas em muita pesquisa e diversas fontes, todas devidamente identificadas nas páginas do livro. O objetivo é "jogar tomates na historiografia politicamente correta", admite o autor na introdução da obra.

Os capítulos, cujos nomes aparecem invertidos no alto das páginas, organizam os casos da seguinte maneira: "índios", "negros", "escritores", "samba", "guerra do Paraguai", "Aleijadinho", "Acre", "Santos Dumont" e "Comunistas".

Confira algumas passagens polêmicas do "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil".

Zumbi tinha escravos

"Zumbi, o maior herói negro do Brasil, o homem em cuja data de morte se comemora em muitas cidades do país o Dia da Consciência Negra, mandava capturar escravos de fazendas vizinhas para que eles trabalhassem forçados no Quilombo dos Palmares. Também sequestrava mulheres, raras nas primeiras décadas do Brasil, e executava aqueles que quisessem fugir do quilombo."

A origem da feijoada é europeia

"Um fenômeno muito parecido com o da folclorização do samba aconteceu com a feijoada. O prato ganhou a cara de comida dos negros, mesmo tendo pouquíssima influência africana. Muita gente repete que a feijoada nasceu nas senzalas, criada pelos escravos com o feijão e carnes desprezadas na casa-grande. Eis um daqueles mitos que de tão repetidos se tornam difíceis de derrubar. A feijoada tem origem europeia. Quem diz é o próprio folclorista Câmara Cascudo.

Santos Dumont

"Filho de um dos maiores cafeicultores do mundo, amigo de magnatas e princesas e provavelmente gay (...) Ele não inventou o avião nem o relógio de pulso, não era pacifista, a polícia americana suspeitou que Santos Dumont era um picareta, que sabotava seus balões para fechar acordo com expositores e cobrar ingresso de quem quisesse ver o tecido despedaçado dos seus balões misteriosamente rasgados e perfurados a faca. Há, sim, provas e testemunhas dos voos dos irmãos Wright; o 14-Bis não voava, dava pulinhos"

"Numa crônica de 1921, o autor de "Vidas Secas" defendeu que o futebol era uma moda passageira que jamais pegaria no Brasil.

"Quando publicou "Casa-Grande & Senzala", em 1933, o escritor e antropólogo Gilberto Freyre provocou uma revolução: defendeu que os mestiços, até então considerados a causa dos problemas do país, eram na verdade uma agradável particularidade dos brasileiros. Foi uma reviravolta para ele próprio. Antes de publicar sua obra-prima, o pernambucano, assim como os colegas mais velhos, torcia pelo gradual embranquecimento dos brasileiros. (...) Em sua dissertação de mestrado apresentada na Universidade de Colúmbia, nos EUA, em 1922, há afirmações ainda mais comprometedoras. No trabalho acadêmico, o brasileiro elogiou o esforço dos "cavalheiros da Ku Klux Klan americana", grupo que naquela época executava negros.

"Enfadonho defensor da pureza cultural pernambucana, criticava (ainda na década de 1990) o criador do mangue beat por misturar a cultura do estado com coisas de fora. Como propuseram os integralistas décadas antes, Suassuna gostava apenas do que era folclórico"

***

Autor: Leandro Narloch
Editora: LeYa
Páginas: 304
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

Pelo fim da caça às baleias

Pelo fim da caça às baleias. Os japoneses continuam a matança para satisfazer seu refinado paladar. Centenas de animais foram salvos por ações arriscadas de ONGs, com pequenos barcos que atrapalham a pesca. O da foto era do Greenpeace e foi covardemente atingido por uma baleeira e afundou 2 dias depois. Mas a luta continua...
Octaviano Moniz

domingo, 10 de janeiro de 2010

Grife de luxo relaciona “feito à mão” com arte

“Tradição” e “feito à mão” tornaram-se as expressões favoritas da indústria de luxo para tentar reforçar suas credenciais como marcas dignas de se investir. Os novos anúncios da grife francesa Louis Vuitton apresentam diferentes artesãos de suas fábricas e histórias sobre as tarefas necessárias para a criação de artigos de couro. Acima, confira o visual da campanha que remete às pinturas de Vermeer. O objetivo é relacionar os produtos da marca à raridade e valor das obras do artista. Abaixo, duas pinturas: Rendeira e Moça com brinco de pérola.

Exposição reúne 280 cordéis de José Costa Leite

Estação Ciência, em João Pessoa, PB. O mural de José Costa Leite. Foto: Onacir/Flickr

Neste mês de janeiro, o cordelista paraibano José Costa Leite, 80 anos, está expondo na lojinha da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, em João Pessoa, PB. O artista popular é natural de Sapé e mora atualmente em Condado, zona da mata de Pernambuco.

O lugar é ideal para a exposição do artista, já que é de sua autoria o painel (ampliado pintado pelos artistas plásticos Wilson Figueiredo e Percy Fragoso) na parte externa do auditório – fotografado por Onacir.

As xilogravuras de José Costa Leite ilustram inúmeros folhetos – seus e de outros poetas – e ganharam status de obra de arte a partir dos anos 1960, quando passaram a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, no Brasil e no exterior.

Em 2005, José Costa Leite foi o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), onde realizou oficinas de xilogravura.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Brasil terá primeira escola de cultura homossexual

A princípio, a criação de uma escola de cultura homossexual, com cursos como o de formação de drag queen, acaba se tornando motivo de chacota. Mas o argumento de militantes LGBTs para a criação da primeira instituição do gênero no Brasil é que, através da disseminação de informações sobre o universo dos gays, lésbicas e transgêneros, é possível romper não só com o preconceito, mas com a marginalização cultural que eles sofrem.
A instituição em questão é a Escola Jovem LGBT, que será inaugurada em março de 2010, em Campinas, no interior paulista. A iniciativa é do Grupo E-Jovem, que desde 2001 luta pelos direitos de jovens LGBT e que vai receber um verba de R$ 180 mil, ao longo de três anos, através do projeto Pontos de Cultura - uma parceria entre o Governo de São Paulo e o Ministério da Cultura.
"Não existe nenhum trabalho consistente de valorização das expressões gays, no Brasil. A cultura LGBT fica restrita a boates, e jovens com menos de 18 anos não têm acesso a esses espaços", afirma Deco Ribeiro. diretor da Escola Jovem LGBT.
A instituição será destinada a pessoas entre 12 e 29 anos e terá três linhas de ensino: expressão artística (com cursos de drag queen, dança e música), expressão cênica (webTV, teatro e cinema) e expressão gráfica (publicações impressas).
Além de oferecer ferramentas para que os alunos expressem sua sexualidade, todo o material produzido por eles - livros, revistas CDs e DVDs - serão distribuídos gratuitamente para difundir a cultura LGBT.
"Queremos mostrar para sociedade como a gente se expressa. No colégio, por exemplo, quando a professora pede uma redação sobre como foi o fim de semana dos alunos, o adolescente gay não pode falar que passou com o namorado".
Os cursos da Escola Jovem LGBT terão três anos de duração e ao final os alunos receberão um certificado. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail escola@e-jovem.com .

Iya Casa de Cultura e Arte Negra

Últimas Vagas Curso de Língua Yorubá

A Biblioteca Abdias do Nascimento - Espaço BNB de Incentivo à Cultura informa que estaremos realizando as últimas inscrições para o Curso de Língua Yorubá que estará iniciando as aulas no próximo dia 16 de janeiro.
As aulas do curso presencial acontecerão aos sábados das 9h às 11h, na sede da biblioteca que fica localizada na Av. Suburbana. O curso estará sendo realizado no período de férias, nos meses de janeiro, fevereiro e março. Para os interessados que não residem em Salvador ou não tem disponibilidade para o curso presencial, estamos oferecendo o Curso à Distância com o envio do módulo pelos correios e aulas via MSN (com voz e imagem) diretamente com o professor e por e-mail.
Os interessados deverão entrar em contato por e-mail solicitando a ficha de inscrição e efetuar o pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 25,00 através de depósito bancário até o dia 14 de janeiro.
Informações: (71) 8742-1045 / 8730-6062

Fotografia: Mais um artigo maravilhoso de Clicio Barroso Filho!!

©Clicio Barroso 2010

Profissionais/Amadores; quem liga?

por clicio em 5 de janeiro, 2010
originalmente publicado em Clicio Photo News
Desde que a fotografia se tornou comercialmente viável, na segunda metade do século XIX, os fotógrafos naturalmente se dividiram em categorias de acordo com seus interesses financeiros, artísticos ou políticos. Uma consequência desta segmentação foi a criação de rótulos e sua aplicação na fotografia, fazendo com que algumas das diversas categorias, em alguns momentos, se tornassem antagônicas ao invés de uníssonas; inevitável, posto que quando interesses comerciais estão em jogo a competitividade aumenta.
Surgiu então no decorrer do século XX uma pirâmide social da fotografia, com os fotógrafos dedicados à publicidade se imaginando no topo, já que seu faturamento era o mais alto dentre as categorias ditas profissionais, enquanto jornalistas e documentaristas se enganavam achando que o importante não é o dinheiro, mas sim a “fotografia pura” com seu vínculo sagrado ao referente, à verdade, apesar das conhecidas manipulações de imagens por motivos estéticos, políticos ou simplesmente para destacar as suas funções conotativas; um paradoxo quando a tal fotografia do real deveria ser apenas denotativa, o que sabemos ser impossível quando se trata de imagens técnicas.
Se profissionais são aqueles que produzem fotografias comercialmente e dela tiram seu sustento, então é necessária uma preparação para que o negócio seja bem sucedido; isso inclui o domínio dos conceitos e técnicas que formam a praxis da fotografia, capital suficiente para a compra de equipamentos e instalações físicas de cimento e tijolos, e um network de clientes incentivado pelo marketing e divulgação. Tais pré-requisitos serviam como um filtro natural, elitizando a fotografia comercial durante todo o século passado, já que equipamentos caros, educação, treinamento específico, e estúdios estavam ao alcance de apenas poucos indivíduos; os que se arriscavam por conta própria deveriam necessariamente fazer sucesso, sob o risco de falirem; e as grandes corporações, principalmente jornalísticas, contratavam como funcionários ou free-lancers aqueles fotógrafos que se destacavam mas não tinham recursos ou inclinação suficiente para montar seus próprios negócios de fotografia.
Na base da pirâmide, os amadores.
A palavra vem do latim amator, “amante”, aqueles que gostam do que fazem, sem expectativas de lucro. Alguns amadores, com recursos próprios e sem a necessidade do ganho financeiro, já que não fizeram da fotografia a sua profissão, acabaram se tornando especialistas bem informados e possuidores de equipamentos e conhecimento mais relevantes e específicos que aqueles dos próprios profissionais; o problema naquele momento histórico era de escala, já que o número destes “amadores avançados” foi sempre limitado pelo preço dos equipamentos e acesso à distribuição das suas fotografias. Ainda assim, durante o século XX, o número de pessoas fotografando por prazer foi aumentando progressivamente, na razão inversa do custo de se fotografar; quanto mais acessíveis as câmeras, objetivas e ampliações, maior o número de aficionados, fortalecendo esta base.
Nos anos 90, duas forças começam a inverter essa pirâmide; a substituição da tecnologia fotográfica mecânica pela digital, permitindo o desenvolvimento acelerado das câmeras inteligentes, “auto-tudo”, e eliminando o custo-filme; e a Internet, facilitando o acesso à pesquisa, estudo, produção e distribuição de fotografias a um custo baixo e alcance global.
Foi uma verdadeira revolução.
Os milhões de consumidores de fotografias passaram também a ser produtores e distribuidores; o amador passou a contar com centros integrados de divulgação, feedback e relacionamento social, como o Flickr; o acesso às ferramentas, fator que historicamente separava profissionais de não-profissionais, se democratizou, se popularizou e eliminou o gargalo. A diferença entre profissionais e amadores ficou cada vez mais difícil de ser definida. E quando milhões de amadores que fotografam por experimentação e diversão, passaram a distribuir suas fotos de forma gratuita, apenas para ganhar reputação e prestígio, imagens de nível “profissional” se destacam dentre esses bilhões de fotografias produzidas, e são consequentemente vistas, utilizadas, consumidas.
A partir do momento em que consumidores são também produtores, todos produzem e todos consomem, criando um círculo virtuoso que é ótimo para a fotografia, mas não tão bem recebido pelos profissionais estabelecidos. O que falta a esses é a compreensão de que a economia sofreu uma mudança radical; vive-se uma cultura de micro-preços e oferta ilimitada, em oposição a custos altos e pouca oferta; deixa-se, como diz Chris Anderson em seu livro “A Cauda Longa“, uma economia de escassez para uma economia de abundância, onde o equipamento é acessível a todos, o custo de armazenamento e distribuição é praticamente inexistente, e as ações de marketing e publicidade tradicionais já não tem muita valia; sim, na cultura das redes sociais e dos blogs, é muito mais importante a indicação e certificação de produtos por usuários reais (e confiáveis; visibilidade e prestígio online são moedas muito fortes), do que um anúncio impresso que vai sempre enfatizar os pontos “vendáveis” deste e esconder os pontos fracos.
A substituição dos átomos pelos bits permite que a informação se mova instantaneamente, sem custo mensurável; os produtos que carregam essas informações vão desaparecendo até que se estabilizem em nichos; no caso da fotografia impressa, o papel pode ser abandonado em favor dos downloads de imagens; o Kindle e o islate vieram para ficar…
A conclusão não é uma morte anunciada do fotógrafo profissional, mas sim a inevitável mudança de paradigma; profissionais e amadores se igualaram, e o diferencial tradicional formado pelo trio técnica, capital e distribuição já não se sustenta. Ou o fotógrafo participa deste universo de ilimitadas fotografias disponíveis a custo e preço baixos, ou migra para nichos cada vez mais isolados, onde a chance de ser um fotógrafo-estrela está limitada aquele nicho específico.
Quem realmente não tem mais chance é o “profissional-generalista”, que faz de tudo um pouco, pois agora existem milhões de especialistas que são capazes de fazer, para cada uma das categorias que o generalista domina medianamente (mediocremente?), fotografias melhores, entregando mais rápido, e cobrando menos.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Walter Firmo na Bahia de 1º a 4 de fevereiro de 2010

Salão de Artesanato da Bahia prorroga inscrições

O Instituto Mauá lançou oficialmente o Salão de Artesanato e Arte Popular da Bahia — primeiro projeto de artesanato contemplado pela Lei Rouanet no Estado.

O Salão é uma promoção do Mauá, autarquia da Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, em parceria com as secretarias estaduais de Cultura e de Turismo, e o Sebrae/BA. A proposta do Salão de Artesanato mantém-se fiel à promoção, resgate e valorização das legítimas manifestações artísticas da Bahia.

O evento acontecerá em julho de 2010, no Museu de Arte da Bahia, e pretende reunir 16 tipologias artesanais entre trabalhos populares, tradicionais e contemporâneos. Diante da grande demanda, as inscrições foram prorrogadas até dia 31 de janeiro.

Informações no site oficial do evento.

O Professor José Albuquerque está oferecendo gratuitamente um mini curso de "Introdução ao Moodle"

Prezados(as),
Estamos oferecendo gratuitamente um minicurso de "Introdução ao Moodle".
Para se inscrever no curso clique no link abaixo:
Seja bem-vindo(a) ao Moodle! Bons estudos!!!
Atenciosamente,
Prof. José Albuquerque

Dica econômica: Sapataria do Futuro

Não sei quanto a vocês, mas acho que isso é coisa de toda e qualquer mulher: compramos sapatos e mais sapatos, e muitos deles acabam esquecidos no armário. Ou porque são muito altos, ou porque machucam, ou porque sofreram algum dano durante o uso.Alinhar ao centroEu tenho mania de comprar alguns sapatos altíssimos (acho lindo) e depois abandoná-los completamente (acho desconfortável). Mas quem sabe tentar transformar estes sapatos ao invés de simplesmente aposentá-los? Por isso gostei tanto da dica da Sapataria do Futuro, que pode nos fazer economizar uma grana ao transformar os sapatos velhos em novos!

Entre os serviços oferecidos pela sapataria estão a troca completa de salto, revestimento, capa de salto e lasseamento de sapatos e botas. Com alguma criatividade, dá para reinventar o pisante, hein?

Para saber onde tem lojas, basta consultar o site. Aqui em Salvador temos no Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães (71) 3204-1622; no Shopping Iguatemi Salvador (71) 3450-3256; no Salvador Shopping (71) 3341-1022; no Shopping Barra Salvador; no Shopping Center Itaigara (71) 3351-8737; no Shopping Lapa Salvador (71) 3328-1425; no Comércio; e em Vilas do Atlântico (71) 3379-1103.

LINK

Sorteio de ano novo no blog da Vila do Artesão:
uma linda peça em Renascença
Foto: Marcelo Pereto
Participem clicando a seguir: Vila do Artesão

Michelle Obama vira Musa do PETA

Dona de um carisma impressionante, Michelle Obama atrai admiradores por onde passa, mas virar musa do PETA, nem a Casa Branca esperava por isso. O PETA é um grupo que defende o direito dos animais e para algumas fashionistas é um verdadeiro terror, Kate Moss que o diga, já que é adepta do uso de peles em seu vestuário e pode até ser eleita a campeã do “Os piores do mundo fashion” pelo grupo. A verdade é que Michelle Obama ganhou a admiração dos ativistas após ter emitido um comunicado, em 2009, que não usaria peles. Eles ficaram tão emocionados e felizes que acabaram se empolgando e usaram a imagem de Michelle em um pôster ao lado de Oprah Winfrey, Tyra Banks e Carrie Underwood com a seguinte frase: “Livre de peles e fabulosas”. Quem não gostou nada, mas nada mesmo, foi a Casa Branca que reclamou muito, pois não autorizou a exibição da imagem da primeira-dama em pôster algum. Em resposta as queixas, Ingrid Newkirk, presidente do grupo, disse não ter pedido autorização por não esperar nenhum tipo de apoio financeiro da Casa Branca, já que sabem que a mesma não faz isso e que utilizou a imagem baseada no comunicado emitido pela primeira-dama, durante o ano de 2009. Michelle Obama ainda não se pronunciou a respeito, o que será que a primeira-dama vai dizer a respeito dessa história? Confiram o Pôster!
FONTE: DivaDiz

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Festival de música negra no Pelô

Zezé Motta é uma das convidadas para o evento.
Foto: Elói Corrêa | Ag. A Tarde

por Cleidiana Ramos

MUNDO AFRO

Gostei da pegada unindo humor e reflexão adotada pelos produtores do festival de música Circuito Real Rotação. Tudo parte da pergunta “Venha cá, Cultura Negra dá dinheiro? Para o bolso de quem? E nessa coisa de Preto e Dinheiro, qual é o $ da questão?”

Produzido pela Babu Comunicação & Produção, o evento vai de quarta-feira até o próximo sábado, na Praça Pedro Arcanjo, Pelourinho, a partir das 19 horas. O preço dos ingressos varia de R$ 0,40 até R$ 5.

O formato é bem inusitado com programação que inclui música e talk show, um bate-papo para discutir o tema do evento reunindo Zezé Motta, o editor-chefe da revista Raça, Pestana, e o cantor Dão, além das participações de Dona Liu e do rapper Lukas Kintê.

Depois tem batalha de MC´s, baile black, dentre outras atividades. Vale conferir a programação com a linguagem despojada adotada pelos organizadores. Achei muito legal e por isso vou reproduzir aqui abaixo. Mas atenção: a programação a seguir só inclui os eventos musicais, mas para quem quiser conferir o talk show ele será no mesmo lugar, na quarta, a partir das 19 horas. Confiram aí o baianês super legal da galera:

7 de janeiro- Batalha de MC´s- Fora de Órbita em Rotação. O 1º lugar leva 700 conto, 2º 500 e o 3º vai ganhar quase um salário. Tá bom né? Então aparece lá. Pra entrar pague quanto achar que vale. Participação: Versu 2 e Nova Saga.

8 de janeiro- Você vai ver uma cena inédita na Bahia, 1 DJ, 11 Mcs, Pire aí. Vai descer a barreira toda: Max B.O., Kamau, Parteum, Aori, De Leve, Indião, Andromedra, Phantom, Lívia Cruz, Sombra e Gaspar. E nas quadradas desta festa DJ KLJay. Sejam bem vindos esse é o Rotação 33.

9 de janeiro- Baile Black Especial Tim Maia. Isso mesmo gostou? Eu também gostei, Ó, a moçada vai pagar somente 5 conto pra dançar ao som dos DJs- KLJay, Mauro Telefunksoul e Bandido. Vc não vai perder né? Quem quiser.

2010 e o resgate da compaixão

Confira agora a análise astrológica para o seu novo ano

por Alexey Dodsworth*

Fonte: PERSONARE

2010 é um ano marcado por alguns movimentos planetários bastante significativos para o contexto do mundo em que vivemos. Como destaques, podemos salientar a entrada do planeta Júpiter no signo de Peixes durante o mês de janeiro, onde permanecerá por todo o ano, migrando para Áries no meio do ano, mas retrogradando para Peixes novamente, e neste signo permanecendo até o final de 2010. Teremos também a entrada de Urano no signo de Áries durante o mês de maio, iniciando um processo astrológico que só se repete de 84 em 84 anos. Saturno, por sua vez, avançará pelo signo de Libra. E Plutão, que em 2009 entrou no signo de Capricórnio, se tornará um posicionamento cada vez mais importante para o contexto do mundo.

O ano começa com muita revisão. Marte fica retrógrado em Leão até o mês de fevereiro, e as pessoas perceberão que poucas atitudes e investidas ficarão isentas da necessidade de revisões e cautela. Empreendimentos novos tendem a só fluir com velocidade a partir de meados de fevereiro. Convém aproveitar os dois primeiros meses de 2010 para planejar e revisar tudo, mas não para começar coisas novas. Os signos que mais sentirão esta necessidade de "ir mais devagar" serão os signos de Leão e Aquário e -numa escala um pouco menor- Touro e Escorpião.

Compaixão ultrapassando o egoísmo
Falemos agora sobre Júpiter em Peixes: o décimo-segundo signo do zodíaco trópico é uma das posições mais poderosas no contexto de um trânsito de Júpiter. Por conta deste ciclo, poderemos verificar ao longo de 2010 o quanto a virtude da compaixão estará vigorando como conduta emergencial em diversos sentidos, tanto no âmbito político maior, como também no contexto das vidas particulares de cada indivíduo.
Perceberemos, ao longo de 2010, que o ato de se colocar no lugar do outro nos permite ter uma perspectiva capaz de ultrapassar nossos pequenos e grandes egoísmos cotidianos. As pessoas se sentirão mais empolgadas para se envolver em atividades assistenciais e humanitárias, e atos generosos se revelarão mais constantes e evidentes, servindo de exemplo para todas as pessoas. Como decorrência deste trânsito, as pessoas do signo de Peixes sentirão um impulso expansivo ao longo de 2010, ficando entusiasmadas para alargar seus horizontes em vários aspectos da vida. Os signos de Câncer e Escorpião também viverão (num grau menor) este momento expansivo na vida. E os signos de Gêmeos e Sagitário precisarão tomar certo cuidado no sentido de evitar ultrapassar limites de forma irresponsável - saber quando parar e respeitar fronteiras é muito importante em 2010.
Velocidade criativa

Urano em Áries a partir do mês de maio é outro trânsito altamente significativo. Ele estimula o espírito pioneiro, a velocidade criativa e incentiva o progresso tecnológico. A partir de 2010, entraremos num ciclo novo que perdurará até o ano de 2018, estimulando avanços científicos, novas descobertas, invenções geniais e impressionantes, que nos farão ter uma sensação clara de progresso técnico. A medicina, a física, a química, ou seja, as ciências oficiais em geral passarão por uma fase áurea e muito auspiciosa. Será preciso, todavia, tomar cuidado com o entusiasmo excessivo neste sentido, pois o progresso tecnológico não implica necessariamente em prudência, muitas vezes até mesmo pelo contrário: tendemos a inventar novidades ou avançar com a melhor das intenções, e não vemos como isso pode ser perigoso. Num sentido mais individual, o signo de Áries tende a ser mais marcado por Urano, e a vida dos arianos em geral (principalmente os do primeiro decanato, ou seja, nascidos por volta de 21 a 30 de março) passará por súbitas e imprevisíveis reviravoltas. Planejar as coisas não adiantará muito, uma vez que a marca registrada para os arianos em 2010 é a reviravolta súbita. Os signos de Libra, Câncer e Capricórnio tenderão a vivenciar este processo também, de forma menos intensa, mas ainda assim significativa.

Reformulação no sistema legal

Na medida em que o planeta Saturno avança pelo signo de Libra, 2010 se revela como sendo um ano muito importante para uma área: o Direito. Leis serão modificadas e outras nascerão, a fim de cobrir as necessidades do mundo atual. Saturno em Libra incentiva as leis a serem cumpridas, possibilitando o fortalecimento da sociedade civilizada. Por conta da oposição de Urano a Saturno ao longo de 2010, muitas dessas leis e alterações não serão compreendidas facilmente, gerando controvérsias, polêmicas e oposições por parte de grupos diversos. Plutão acrescenta a quadratura com Saturno também ao longo do ano, sugerindo que muitos grupos de poder tentarão coibir a criação ou evolução do sistema legal, com a finalidade de manter a estrutura das coisas de acordo com suas próprias conveniências. Todavia, Saturno em Libra não deixa de fazer valer seu maior significado: a importância do estabelecimento de leis realistas, que tenham sentido dentro de nossa realidade contemporânea. Num sentido pessoal, o signo de Libra tende a ser marcado pelo trânsito de Saturno, e os librianos em geral se sentirão mais conscientes de seus limites, investindo com maior praticidade em suas ações. Há aqui um claro sinal do aprendizado da necessidade de poupar, tudo, não apenas dinheiro, mas principalmente energia. Os signos de Áries, Câncer e Capricórnio também sentirão este trânsito de Saturno ao longo de 2010.

Em verdade, conforme se viu, os signos ditos "cardeais" serão os que mais passarão por processos importantes em 2010: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio. Quem tem o ascendente num destes signos também perceberá 2010 como um ano de transformações substanciais no trabalho, no amor, na vida estudantil, etc. Para definir em quais setores estas mudanças radicais ocorrerão, é preciso uma investigação individual do mapa astrológico de nascimento. Os signos "fixos" (Touro, Escorpião, Leão e Aquário) passarão por um ano mais estável, e os signos "mutáveis" (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes) sentirão os primeiros sinais de um processo criativo mais forte.

Fase de avanços

Para o mundo, 2010 é um ano decisório, de muitos avanços, de muita revisão, em que grupos que defendem interesses diversos se contradizem, procurando conquistar espaço. Felizmente, Júpiter em Peixes nos estimula a um pouco mais de compaixão e consideração pelos sentimentos alheios. Colocar-se no lugar do próximo é uma arte - arte que será resgatada em 2010, que será lembrado como o ano dos progressos científicos e das reformulações no sistema legal.

* Alexey Dodsworth é Astrólogo há mais de vinte anos, graduado em Filosofia e diretor técnico da Central Nacional de Astrologia. Autor das interpretações de Astrologia, Tarot e Runas do Personare.

contato: alexey-revista@personare.com.br