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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amor romântico: eu quero um pra viver!

Acabo de receber de uma amiga - por quem nutro uma amizade romântica e carinhosa - um texto apregoando a falência do amor romântico. Esta é uma corrente meio “modernosa” e cada vez mais frequente de psicanalistas e filósofos que defendem essa história de “morte do amor romântico”. No Brasil há expoentes ilustres, como o Gikovate, o José Ângelo Gaiarsa, a Márcia Tiburi, O que acho interessante é que todos os chamados defensores de um outro tipo de amor, “não romantico”, quase sempre, são pessoas mal-humoradas, feias, declaradamente arredias e de aspecto bastante irritadiço. Apesar de ricas, famosas e bem-sucedidas, não parecem ser pessoas muito felizes, alegres. Têm sempre uma alfinetada contra a realidade do mundo e contra as relações, de um modo geral, distribuindo receitas de relacionamentos saudáveis. Perdoem-me a expressão, mas não me parecem que são seres lá muito felizes na cama, no lar ou no dia-a-dia. Nunca vi o Gikovate dar uma boa risada. Nunca vi o Gaiarsa gargalhar. Nunca vi a Márcia Tiburi expressando um jeito amorosamente pleno de lidar com as pessoas.
Acho, sim, que as pessoas devem buscar o “ser” em essência, antes de ancorar-se em outro. Mas creio que o amor deve, sim, ser romântico. Pessoas que se amam devem, sim, estar atentas e cuidadosas com o outro. Buscar estabelecer pontes, elos e não paredes e couraças, como em alguns momentos essa corrente do amor racionalizado e não-romântico costuma pregar. Estamos cada vez mais contaminados pela individualidade, pelo “eu sozinho”. E, se me apontarem algum “eu sozinho”, mas totalmente sozinho, e feliz, nessa multidão de seis bilhões e oitocentas milhões de almas na Terra, eu gostaria muito de conversar com ela, para saber como conseguiu.
O desafio é, sim, o convívio. O convívio respeitoso e não-invasivo. Mas há momentos em que EU, esse ser pretensamente pleno, tenho que ter a humildade de reconhecer-me, sim, como um ser em alguns momentos incompleto, que carece de um outro, sim. Nem que seja para me dar um beliscão e me acordar pra realidade e me mostrar que o mundo não é meu próprio umbigo. Meu parceiro ou minha parceira precisa ser corajoso, pra me apontar os desafios que preciso enfrentar e, se for forte o suficiente para me oferecer auxílio, nada melhor e mais humano. E talvez nada mais divino, em nossa essência.
O que é um “amor não-romântico”? Se alguém conseguir me explicar, sem cair num racionalismo esquisito, eu quero ouvir com atenção. Mas ainda acho que é preciso muita cautela, para não sermos incentivados, por gente que não conseguiu de fato descobrir o que é o amor, a cairmos numa individualidade, sofrida e causadora de sofrimentos.
Detalhe: em nenhum momento, em minha linha de pensamento, pensei em amor carnal ou sexual, nessa mensagem, que fique claro. Falo do amor de companheirismo e parceria que, pra mim, não pode excluir um certo romantismo - nem mesmo entre irmãos, pais e amigos. Nada mais romântico e belo que lembrar-me de um amigo com um gesto enamorado, sim, de uma mensagem cheia de carinho ou uma flor sem data marcada. E isso é, sim romantismo. Agradeço a quem praticar comigo. E acho estranho quem achar estranho.