Há opções leves, mas não é toda sopa que é amiga da dieta
Cultura, Arte, Educação e Novas Tecnologias
Se ler é o melhor remédio, a "leitura fatiada" é o melhor antídoto contra a pirataria da indústria de xerox. Com essa filosofia, editoras investem cada vez mais no mercado de livros customizados, que reúnem conteúdos selecionados de acordo com a demanda de cada instituição de ensino.
Funciona assim: em vez de comprar um exemplar que não será lido nunca do início ao fim, o estudante adquire apenas os capítulos que realmente lhe interessam, a um preço mais em conta e dentro da legalidade. O grupo universitário Estácio, que já entrega gratuitamente o material didático aos seus alunos, levou a ideia a um patamar adiante: vai oferecer os textos em tablets, também de graça.
"Para coibir a pirataria, você precisa oferecer alternativas viáveis e mais eficazes", diz Roger Trimer, diretor-editorial e de conteúdo da Pearson Brasil, empresa do gigante que reúne marcas como Longman, Prentice Hall e a editora Penguin. "O livro customizado surge como uma forma de otimizar o conteúdo. Em vez de um calhamaço de folhas reproduzidas de maneira ilegal, o estudante paga um preço mais justo e acessível por um livro fracionado, que vai acompanhá-lo pelo resto da vida."
Entre os clientes da Pearson, que faz livro customizado desde 2005, estão instituições como a Anhanguera Educacional e a Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). O volume de obras encomendadas cresceu 40% em 2010, quando comparado ao ano anterior. Outras empresas, como a editora Saraiva, também exploram o nicho.
Em tablets. A economia com o livro customizado pode chegar a 80%, calcula Trimer. Além da "leitura fatiada", a Pearson aposta na Biblioteca Virtual Universitária, por meio da qual as instituições fazem uma espécie de assinatura para liberar o conteúdo didático aos alunos na internet.
Mais de 1 milhão de universitários têm acesso à biblioteca online, conseguindo acessar os textos na web, sem baixá-los.
Na Estácio, 5,5 mil alunos vão ganhar tablets para a leitura dos textos - um software está sendo desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR).
"Trocaremos o custo de impressão dos livros e da distribuição deles pelos Correios por um equipamento que só traz vantagens e promove a inclusão digital", comenta o diretor de marketing do grupo, Pedro Graça. Em comum, os tablets da Estácio e os livros customizados respeitam a legislação dos direitos autorais e livram os estudantes da compra de exemplares que não são aproveitados na totalidade.
Desde 2009, a Estácio entrega o material impresso aos matriculados - só no ano passado, pagou cerca de R$ 3 milhões em direitos autorais.
O objetivo agora é estender os tablets aos 210 mil alunos em cinco anos, o que deve gerar uma economia de 240 milhões de páginas no período. O investimento total para a implantação do novo modelo de ensino vai chegar a R$ 40 milhões.
Pirataria. A "pirataria" de livros faz o mercado editorial de obras técnicas, científicas e profissionais perder mais de R$ 1 bilhão por ano no País, de acordo com a ABDR. Todos os anos, seriam reproduzidas pelo menos 4 bilhões de cópias ilegais, apenas entre a população que cursa ensino superior.
A legislação nacional considera a cópia de xerox sem autorização expressa do autor ou de quem o represente uma violação com pena de dois a quatro anos de prisão e multa.
Contrariamente ao que possamos ser levados a pensar, o coelho não é um símbolo universal e inquestionável da Páscoa. Estes simpáticos animais não têm lugar na simbologia francesa, alusiva a esta festividade: aqui, os símbolos fortes são o peixe - chamado “Poisson d'Avril” (Peixe de Abril) e o sino. De acordo com a tradição, durante a Sexta-feira Santa, todos os sinos de França voam até ao Vaticano, em Roma. Esses “sinos voadores” regressam a França na manhã do domingo de Páscoa, trazendo com eles chocolates e ovos. Essa é a razão pela qual os sinos das igrejas francesas se calam desde a Sexta-feira Santa até à manhã do domingo de Páscoa.
Vistos como uma praga, por destruírem as colheitas, os coelhos também não são bem-vindos na iconografia pascal australiana. Em 1991, uma campanha anti-coelhos, promoveu a sua substituição pelo Bilby, um marsupial em vias de extinção, que passou a ser um dos principais símbolos desta época.
Em Berna, na Suiça, esta tradição é apelidada de "Eiertütscha" e leva crianças e adultos a reunirem-se, no domingo de Páscoa, na praça Kornhausplatz, para a “disputa dos ovos”. Ganha o detentor do ovo mais resistente.
Nos EUA, um dia antes da Quarta-feira de Cinzas, ocorre o famoso Festival Mardi Gras - expressão francesa para designar a “Terça-feira Gorda” - e, um pouco por todos o lado, desfiles, festas e bandas de jazz dão o tom à festa. Por ser considerada uma data auspiciosa, pelos americanos, o dia de Páscoa é, normalmente, uma data fértil em casamentos.
O mesmo não acontece na Suécia, onde casar e realizar baptizados na Páscoa é considerado inapropriado. As tradições pascais suecas, tal como as de outros países escandinavos, têm cor e sabor a Halloween norte-americano. Na Quinta-feira Santa, ou na véspera da Páscoa, as crianças suecas disfarçam-se de bruxos e visitam, secretamente, os seus vizinhos, deixando um cartão decorado - a "carta de Páscoa" - e esperando receber, em troca, um doce ou dinheiro. Esta tradição também reúne adeptos na Dinamarca. Mas há mais: neste país, os ovos cozidos, depois de terem sido decorados, são literalmente atirados por uma colina abaixo: vence aquele que conseguir que o seu ovo chegue mais longe.
Entre a panóplia de tradições pascais existentes em Itália, a mais espectacular é o “Scoppio del Carro”, que há mais de 300 anos existe em Florença: uma estrutura é arrastada pela cidade, fazendo-se depois explodir num impressionante espectáculo de fogo-de-artifício.
No Canadá, país onde existe o maior ovo de Páscoa do mundo – com 8,5 metros e 1 tonelada de peso -, o Carnaval de Inverno do Quebec é um dos pontos altos das celebrações da época.
Na Alemanha, a festa cristã sobrepôs-se à que se dedicava a Ostara, deusa da primavera. Entre fogueiras e festivais, no sul festeja-se a tradicional “Alemannische Fasnet”: a quinta estação do ano, como é conhecido o período que começa em 11 de Novembro e termina na Quarta-feira de Cinzas. O clímax da extravagante festa é o período que começa na "Schmutziger Donnerstag" (Quinta-feira Suja) e que vai até a Quarta-feira de Cinzas. Na Segunda-feira de Carnaval realizam-se os grandes desfiles: as pessoas fantasiam-se e vão para as ruas espantar o Inverno. Em algumas regiões, enfeitam-se árvores com ovos coloridos, símbolo de renovação. Ao contrário do Brasil, por exemplo, na Alemanha a Páscoa coincide com o início da primavera, o que reforça a simbologia do renascer da natureza, da vida e da esperança.
Noutras paragens, as tradições de Páscoa são sinónimo de produções cénicas e, em alguns casos: ”pancada”. No México, por exemplo, ao meio dia do Domingo de Páscoa, os bonecos que representam Judas - o apóstolo que traiu Jesus - são espancados, enforcados e queimados. Em algumas cidades, dita a imaginação mais doce que Judas seja representado por uma piñata - um jarro cheio de doces - que as crianças devem tentar partir, para comer os doces.
Na República Checa, a partir da meia-noite do Domingo de Páscoa, e durante vinte e quatro horas, é legalmente permitido “bater” nas mulheres, com bastões de madeira - os pomlazka. Os bastões são enfeitados com fitas coloridas e, a cada “espancamento”, a “vítima” deve pendurar uma nova fita no bastão do seu “torturador”. Além da fita, os homens recebem ovos previamente pintados, chocolates, sanduíches ou um cálice de alguma bebida caseira. Caso pretendam repetir o cálice, basta que chicoteiem a perna direita da jovem e, de seguida, a esquerda. Diz-se que os rapazes tentam ser o mais gentis possível no manuseio das suas pomlazkas, embora também haja registros de jovens mulheres que sentem bastante dificuldade em sentar-se, no dia a seguir às festividades.
Em algumas regiões da Roménia, na segunda-feira após a Páscoa, os rapazes, carregando baldes de água, vão de casa em casa procurar raparigas solteiras: se estas estiverem a dormir, eles atiram-lhes água. Acredita-se que, com isto, as raparigas casarão em breve. Em troca, elas oferecem-lhes belos ovos decorados ou o bolo tradicional da época, o “Pasca”.
Esta tradição também tem seguidores na Polónia: manda o “Dyngus”, ou “Smingus Dyngus”, que os rapazes molhem as raparigas com perfume ou água perfumada, perpetuando o simbolismo de purificação, que está associado à data. As mulheres húngaras têm a mesma “sorte” na segunda-feira de Páscoa: são molhadas pelos rapazes com perfume ou água perfumada, retribuindo a “bênção” com um beijo e um ovo vermelho.
Mais sóbrias e contidas são as comemorações na China onde, durante o "Ching-Ming", uma festividade que ocorre na mesma época da Páscoa, são visitados os túmulos dos familiares e feitas oferendas, em forma de refeições e doces, para deixá-los satisfeitos com os seus descendentes.
No Médio Oriente, a cerimónia do lava-pés é um dos pontos altos das comemorações: na Quinta-feira Santa, os padres convidam mendigos a entrar, lavam-lhes os pés e oferecem-lhes presentes, para lembrar o acto de Jesus Cristo.
Depois de conhecermos algumas destas tradições, poderemos ser tentados a pensar que comemorar a Páscoa apenas com recurso a inofensivos ovos de chocolate e inexpressivos coelhos clonados, poderá ser, no mínimo, falta de imaginação.
Depois da notícia da morte de Sathya Sai Baba ser divulgada, milhares de indianos foram ao hospital para dar seu último adeus ao famoso guia espiritual
O guia espiritual indiano Sai Baba, um dos gurus mais conhecidos da Índia, morreu na manhã deste domingo em um hospital de Puttaparthi, no sudeste do país, informou o centro médico.
"Sai Baba já não está entre nós fisicamente. Respirou pela última vez às 07h40 e morreu por parada cardiorrespiratória", informou em um comunicado o Instituto Superior de Ciências Médicas de Puttaparthi, localizado no Estado de Andhra Pradesh. "Seu corpo será exposto durante dois dias, na segunda e terça-feira, para que seja reverenciado", completou a nota.
Sai Baba, 85 anos, estava hospitalizado havia mais de três semanas em estado crítico em sua cidade natal devido a problemas cardíacos, pulmonares e renais.
Depois de a notícia ser divulgada, milhares de indianos foram ao hospital para dar seu último adeus ao famoso guia espiritual. A polícia teve de colocar barreiras para conter as massas, e pediu tranquilidade aos cidadãos depois de ter sido anunciada a morte do guru.
Devotos do guia deslocaram-se para Puttaparthi nas últimas semanas para realizar orações especiais, que pediam um milagre para que Sai Baba se recuperasse.
O guru tinha milhões de seguidores no mundo todo, que lhe atribuíam poderes sobrenaturais, como fazer objetos aparecerem ou curar doenças em fase terminal.
Por Lala Deheinzelin
Eis aqui uma notícia que deveria estar em manchete nos jornais, trazida por Wang Xingquan, da Shanghai Academy of Social Sciences: neste ano, e como conseqüência da crise financeira, a Economia Criativa passou a ser a estratégia número 1 de desenvolvimento da China! Sábia decisão: por se tratar de economia baseada em recursos que não apenas não se esgotam, mas se renovam e multiplicam com o uso, a Economia Criativa é uma das únicas soluções possíveis para um futuro sustentável. Afinal, os recursos naturais são finitos, mas cultura, conhecimento e criatividade são recursos infinitos (ainda mais se aliados aos infinitos bits das novas tecnologias).
Enquanto isso, por aqui, nota-se que a Economia Criativa começa a estar na pauta de candidatos e governos, o que me deixa feliz, já que sou pioneira do tema no Brasil. Pena que avance tão pouco e que ainda seguimos modelos importados que não se aplicam ao nosso cenário. Seguem algumas sugestões de estratégias na esfera pública para que a Economia Criativa cumpra seu papel como motor de desenvolvimento sustentável.
Convergência: Planejamento e gestão devem ser feitos de forma integrada, unindo várias pastas, como Planejamento, Ciência e Tecnologia, Relações Interiores, Cultura e outros. Para isso são necessários instrumentos de governança, instâncias de tomada de decisão e gestão como Agência de Desenvolvimento, ou Agência de Sustentabilidade que “orquestram” a ação integrada (e tem um plano de longo prazo e técnico, que não pode ser mudado com novos governos).
Para nos orientarmos necessitamos duas coordenadas que se cruzam e nos localizam. Seguem alguns pares interessantes.
Visão sistêmica: hardware + software: Considerar não apenas a parte “hardware” (estrutural, recursos materiais, tangível, ecossistema ambiental) mas principalmente a parte “software” (processos, recursos humanos, intangível, ecossistema sócio cultural). Exemplo: os processos de restauro e revitalização geralmente contemplam apenas o estrutural, as obras arquitetônicas. E tendem a fracassar pois não tem o “software”: a parte humana, os processos ligados à educação, geração de conteúdo e de renda, mudança de mentalidade. Neste sentido, são assustadoras as perspectivas em relação ao que está sendo pensado para Copa do Mundo e Olimpíadas – “hardwares” caríssimos que tendem a deixar pouco além de enormes dívidas.
Setorial + territorial: tradicionalmente a Economia Criativa é organizada e fomentada em setores (audiovisual, moda, artes plásticas etc). Problema 1: está cada vez mais claro que a chave está no local, no território, é aí onde o desenvolvimento pode acontecer. Problema 2: o futuro está na economia de nicho, onde muitos e diversos produzem para muitos e diversos. Ocorre que o “blend” que diferencia e gera valor de cada criativo, coletivo, empresa ou município é uma mistura de setores. Problema 3: o futuro não é setorial, pois os limites entre as linguagens e área serão cada vez mais difusos. Problema 4: metade dos municípios do Brasil tem até 10.000 habitantes, fica difícil pensar em estratégias setoriais quando a escala é pequena.
Produção + circulação/promoção: as políticas geralmente dão apoio a produtos (e não a processos) ou seja à produção. Mas o maior investimento deveria ser feito nos pontos de gargalo de todas as áreas da Economia Criativa: circulação (ser distribuído) e promoção (ser visível e desejado). Garantir a circulação e visibilidade resulta em produção (vide o caso do Circuito Fora do Eixo).
Transdisciplinar, multifuncional: Esse é o conceito que deveria orientar tanto a formação de novos profissionais pois precisaremos muito de profissionais “modem” que dominem várias disciplinas, conectando linguagens e áreas diferentes, quanto a criação de espaços públicos, que devem ser pequenos, adaptáveis, multifuncionais o que permite otimizar recursos, espaço e tempo.
Formular política que atenda a estes quesitos é possível e já foi feito. Por exemplo aquela criada por Célio Turino: os Pontos de Cultura/Programa Cultura Viva, um dos conceitos mais em sintonia com o futuro que conheço e que espero que tenha continuidade.
Agora resta aos nossos líderes não perder o bonde da história, o que acontecerá se continuarmos com políticas e economia ainda com cara de “milagre brasileiro”, anos 70, indústria de commodities…
Vamos avançar para o século XXI?
[Fonte: Mercado Ético. Publicado em 19/01/2011]
A Fundação Casa de Jorge Amado recebe, no dia 27 de abril, quarta-feira, às 17h, a ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi, no projeto Com a Palavra o Escritor. Em sua primeira edição de 2011, o projeto anual, que neste ano completa 17 anos, busca proporcionar um espaço de aproximação entre o público o trabalho da autora e sacerdotisa, estimulando o intercâmbio de ideias e experiências.
Antes de comentar sua trajetória como escritora e responder perguntas, Mãe Stella será apresentada por Yeda Castro, etnolingüista, Doutora em Línguas Africanas pela Universidade Nacional do Zaire, Consultora Técnica em Línguas Africanas do Museu da Língua Portuguesa e membro da Academia de Letras da Bahia.
Maria Stella de Azevedo Santos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi, Iya Odé Kayode, é respeitada por suas idéias no país e no exterior, sendo uma referência em termos de diálogo inter-cultural e inter-religioso. Com cinco obras publicadas – “Daí Nasceu o Encanto” (em co-autoria), “Meu Tempo é Agora”, “Oxóssi – O Caçador de Alegrias”, “Òwe – Provérbios” e “Epé Laiyé – Terra Viva”, Stella foi a primeira ialorixá a escrever livros e artigos sobre sua religião. Mãe Stella viajou várias vezes para a África, visando aprofundar os conhecimentos sobre a cultura iorubá (que é, basicamente, oral), e conseguiu transformá-la em uma herança escrita. Isto possibilitou uma maior divulgação dos cultos africanos e da religião dos orixás, em todo o país. Tem proferido palestras e participado de seminários em diferentes partes do Brasil e do mundo. Atualmente, tem uma coluna fixa no jornal A Tarde (Bahia).
Em 2001, ganhou o Prêmio Estadão, na condição de fomentadora de cultura; em 2005, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (UNEB). É detentora das comendas Maria Quitéria (Prefeitura do Salvador), da Ordem do Cavaleiro (Governo da Bahia) e comenda do Mérito Cultural (Presidência da República). Na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), contra o racismo e a intolerância, ocorrida em Durban, em agosto de 2001, ela foi uma das mais fortes lideranças brasileiras.
O Com a Palavra o Escritor, há 17 anos, promove o encontro entre autores e público através de depoimentos informais. No evento, escritores de ficção e poesia, críticos, historiadores e tradutores já tiveram ocasião de partilhar sua experiência pessoal sobre a aventura de publicar um livro. Em 2011, o projeto receberá, entre outros, Raimundo Gadelha, responsável pela editora Escrituras, Alexandre Bonafim (MG) e Janaína Amado.
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos" - Fernando Pessoa
Ouvimos e falamos o tempo todo. Tempo é dinheiro. Não tenho tempo. Meu dia precisava ter 48 horas. Onde vou arrumar tempo? "Tempo, tempo, tempo, tempo", como no estribilho da canção de Caetano Velloso, Oração ao Tempo. E aí ficamos atordoados, preocupados e não tratamos a nossa melhor unidade, o tempo, como deve ser tratada. Não lhe damos carinho, só reclamações. Não lhe damos descanso, só trabalho. Não lhe damos consideração, só atropelamos. Não lhe perdoamos de nada, somos implacáveis. E que tal começar a ver o tempo na sua real dimensão? Valorizá-lo, não barganhar. Só trocar quando for absolutamente necessário.
Quando eu era criança, o melhor quadrinho para mim era aquele em que o SuperHomem, com a sua super-velocidade, corria ao redor da Terra, dando a volta ao contrário, para fazer o tempo retroagir. Como eu gostava de imaginar que isso fosse verdade, sobretudo no dia após feriado... Queria continuar sem fazer nada, a não ser ler o que quisesse, brincar até me aborrecer. E ainda por cima, à noite, em minha casa, feriado era como domingo. Não tinha jantar, tinha lanche.
E lá vinha o horrível dia seguinte: arroz, feijão, legume, hora de tomar banho, de ir à escola, de "corre, você está atrasada para o ballet". Ou para o piano, ou para a declamação, ou para qualquer coisa que era sempre obrigação. Jamais estive atrasada para ver televisão, brincar, ler, comer pizza ou dormir à tarde.
Foi essa relação plantada na infância de todos nós: o tempo era dedicado só ao que devia ser feito, ao prazer e a diversão era o que sobrava. Hoje, adultos, ficou em nós a eterna e culpada sensação que falta tempo. Priorizamos as obrigações que só fazem crescer com a idade e o correr das mudanças do ciclo de vida. Casamos e aí vem o tempo a se dedicar ao companheiro. E também aos filhos, as atualizações que o trabalho exige, aos parentes idosos, aos amigos da vida inteira... E ao esforço diário de cuidar da manutenção.
O dilema é permanente. Começamos o dia com uma enorme caixa de entrada de emails que só parece crescer. O que escolhemos para responder ou ver: a oferta da compra coletiva, o convite da festa do amiguinho, o orçamento que o seu gestor pede pra ontem, mandar um cartão de agradecimento? E lá vem mais: marcar médico, cortar o cabelo que está um pavor, a sua mãe pediu para não deixar de ligar para sua madrinha. E a reunião que foi desmarcada? É de enlouquecer! E o tempo que se perde no trânsito?
Como fazemos para conviver com o tempo, esse senhor implacável? Primeiramente tratando-o muitíssimo bem. Dando-lhe importância. E vamos começar eliminando, por meio do planejamento de nossas ações, aquilo que pode ser eliminado. Que tal, ao invés de despejar o armário toda manhã, escolher a roupa de véspera? E evitar ver email que não lhe interessa, abrindo uma pasta para aquela colega de colégio desocupada que só lhe manda spam e textos longos? As mensagens ficam na pasta, longe da sua visão e longe de você gastar tempo abrindo.
Dizer que tempo é prioridade não é o que espelha o nosso dia-a-dia. Pense em sua vida como um grande show. As prioridades são a hora de entrar no palco, o momento de se arrumar para show, a vez de descansar depois do espetáculo e colher o sucesso. Então, faça como os grandes produtores e artistas: calcule seu tempo, troque coisas, enquanto a orquestra ensaia, troque de roupa. Enquanto fazem o acerto de luz, ensaie. Pense que tudo é bom quando é pensado com antecedência. Isso é tratar o seu tempo com carinho.
Faça como disse Caetano. Diga que ele é lindo. O deus tempo vai lhe retribuir.
"Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo"
"Oração ao Tempo", Caetano Veloso.
Neste sábado, dia 26, mais de 1 bilhão de pessoas por todo o mundo desligaram as luzes de suas casas durante a Hora do Planeta. Mas a atitude, um alerta sobre o aquecimento global, não pode ser mantida apenas pelos sessenta minutos do evento.
Para que você possa economizar energia elétrica no seu dia-a-dia, descubra cinco hábitos dos quais você pode se livrar e ajude a preservar o planeta por muitas outras horas.
Sabia que uma lâmpada artificial de 120W consome por mês, em média, 7,2 KWh ficando acesa duas horas ao dia? Uma boa maneira de reduzir esse consumo e de quebra melhorar a qualidade de vida em sua casa e no seu ambiente de trabalho é investindo em iluminação natural.
A utilização da luz natural diminui significativamente o consumo de energia elétrica em casas, edifícios e ambientes de trabalho, além de melhorar a sensação de conforto no local. Mesmo em dias nublados ou chuvosos, a iluminação natural auxilia a artificial, fazendo com que a economia de energia elétrica seja mantida.
Por isso, sempre que possível, facilite a maior entrada de luz natural nos ambientes. Experimente deixar as cortinas abertas, dar preferência a janelas mais altas do que largas e portas envidraçadas na face norte do local e coloque espelhos nos cômodos mais escuros da residência.
Essa é um pouquinho mais difícil, mas vale por uma boa causa. Um banho quente, apesar de relaxante, consome muita energia elétrica. Ao trocar a opção do chuveiro de inverno para verão, você irá poupar eletricidade e ainda fazer bem ao seu corpo.
O uso do chuveiro elétrico é responsável por cerca de 25% do consumo residencial de eletricidade. Mas a conta de luz é apenas um dos benefícios do banho frio. A prática melhora a circulação sanguínea, revigora e fortalece o sistema imunológico, além de evitar o ressecamento dos cabelos e deixar a pele mais bonita.
Depois de carregar o celular, retire o carregador da tomada. O equipamento continua consumindo eletricidade mesmo ao não estar conectado a nenhum celular, apenas por estar ligado à corrente elétrica.
Dados apontam que cerca de dois terços da energia utilizada pelos dispositivos móveis é desperdiçada desta maneira. Por isso, retire-o da tomada assim que a carga do seu telefone estiver completa.
Acabou a água da garrafa que fica na geladeira ou encontrou a bandeja de frutas vazia? Tire-as de lá. Com esse gesto simples você evita que energia elétrica seja gasta sem necessidade.
Mesmo vazia, a garrafa continua absorvendo o ar frio da geladeira - e contribuindo com o aumento da conta de luz no final do mês.
Por isso, quando ver uma garrafa, tapauer, panela, ou qualquer outro objeto que não esteja sendo utilizando dentro da geladeira, retire-o de lá e garanta que o equipamento resfrie apenas o que precisa ser resfriado.
O computador é um dos aparelhos eletrônico responsáveis pelo alto consumo de energia elétrica em sua casa e no se trabalho. Com algumas dicas bem simples você pode fazer o seu aparelho gastar menos energia e aliviar seu bolso e o meio ambiente. Algumas mudanças na configuração da sua máquina ou a troca de alguns componentes também podem ajudar a reduzir o consumo.
A primeira dica é ajustar as opções de energia do computador e configurá-lo para ficar em modo de espera quando o equipamento ficar inativo por algum tempo. Para fazer isso acesse "Painel de controle"; "Sistema de operação" (se o seu computador operar com o sistema Vista), ou "Desempenho e Manutenção (se ele operar com o Windows XP); e por fim, "Opções de energia". Você encontrará três planos de energia e uma marcação (com bolinhas) de economia e desempenho em cada uma delas, marque a opção de mais econômico.
Desligar o monitor ou deixá-lo em modo de espera enquanto você dá uma saidinha é uma excelente forma de economizar energia. Além da tela, desligue outros equipamentos que não estiver usando, como impressora, scanner, HD externos etc.
E quando for comprar um computador novo lembre que os notebooks são mais econômicos que os computadores tradicionais. Se possível opte também por um monitor de LCD, que são mais econômicos e prejudicam menos a visão. Outra alternativa é escolher um computador que utilize uma fonte com PCF (Power Factor Correction) ativo ao invés de uma genérica, pois a primeira desperdiça menos energia.