segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Modelo tem que ser ator em silêncio"

Tatiana Mendonça para a Revista Muito
Foto: Thiago Teixeira | Ag. A TARDE
Celso Senna, 43, diretor da agência de modelos Star Models, está sempre à procura de novos top models. Ele criou, este ano, o Bahia Model, curso de modelo e manequim, que formou 200 modelos e contratou 20 deles, que já estão trabalhando. Alguns já participaram da Semana Iguatemi de Moda (SIM), além de fotografarem para a edição da revista Muito, na reportagem sobre o mercado de moda baiano. No dia 30, estarão na seleção dos desfiles do Barra Fashion e do Yacth Summer Fashion, de 27 a 29 de outubro, no Yacht Clube da Bahia. Senna descobriu, dentre outros, Erasmo Viana, modelo baiano de projeção nacional, e Rejane Lima, que assinou contrato com a Ford Models de Nova York, agência que Senna representa na Bahia. O carioca, que foi modelo de projeção internacional nas décadas de 80 e 90, fala, nesta entrevista, sobre a sua percepção do mercado baiano de moda, em que trabalha há dez anos.

Há indústria de moda na Bahia?

Acho que falta investimento. Falta coragem das pessoas de ousar e se mostrar. As lojas e profissionais de moda baianos têm que ousar e investir na Bahia. Criar a nossa moda. Temos que fazer isso com coragem e fé. O Estado está crescendo. Mas falta muito as pessoas transformarem ideias em projetos. Cito como exemplo o Paulo Borges. Ele consegue pegar uma ideia e transformar em projeto.

Como surgiu o Bahia Model?

O Bahia Model é para descobrir novos modelos baianos. Oferecemos aulas de fotografia, expressão corporal, carreira de modelo, automaquiagem, produção de moda, nutrição, psicologia, mercado fashion e etiqueta.

Está satisfeito com o resultado?

Para mim, isso foi um grande desafio e uma realização pessoal poder passar um pouco da minha experiência como modelo. Trabalhei, de 1985 a 1998, como modelo profissional e, no final da década de 80, já estava no circuito internacional de moda. Poder passar um pouco da minha experiência foi gratificante. Selecionamos professores universitários para dar aulas. Foram 30 bolsas integrais para pessoas de baixa renda.

Quantos foram entrevistados?

Mais de mil pessoas. Foram 200 alunos no curso.

O que é ser modelo?

Ele tem que ser um ator que representa em silêncio. Vou citar vários exemplos: Ana Paula Arósio, Rodrigo Santoro, Luana Piovani, Rodrigo Hilbert e Betty Lago são ex-modelos que passaram a ser atores.

A Bahia ainda produz modelos?

Vem gente de outros estados e países, o que resulta numa mistura rica. Temos a beleza negra, muito valorizada. Graças a Deus. O negro está ocupando o espaço de direito.
É um negócio lucrativo?

É bem lucrativo. Tudo que você faz de forma profissional resulta em bons lucros. Trabalhamos com planejamento da carreira dos modelos. Representamos a Ford Models, uma das maiores agências de modelos do mundo, já por algumas décadas. Temos a garantia e a tranquilidade de saber que um modelo formado pela gente terá uma continuação de carreira em São Paulo e depois o mundo. Por exemplo, a Rejane Lima, que está na campanha do Bahia Model, é soteropolitana, tinha o perfil e depois mostrou o talento. Ela é completa, porque é fashion e comercial. Trabalha com filme publicitário. Foi para São Paulo e está indo para a Ford de Nova York. Se ela conseguiu, outras podem, com perfil e talento. A agência oferece as ferramentas para alavancar a carreira.

Quanto fatura o modelo local?

Depende. O modelo comercial fatura mais do que o modelo fashion. Os trabalhos para um filme publicitário, por exemplo, rendem mais. Uma campanha para um shopping, também. Mas ainda estamos distante de uma realidade de outros mercados.

Qual o segredo para um modelo se manter no mercado?
Tratar as pessoas com respeito também é importante. Não esquecer as palavrinhas mágicas: por favor e obrigado. Ter disciplina com alimentação. O corpo é o instrumento de trabalho de um modelo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Vi uma supremacia de modelos baianos na Semana Iguatemi de Moda que aconteceu na semana passada no bairro de AlemdoCarmo.Com marcas do sul, e muita gente de lá, ainda assim o padrão estético baiano prevaleceu. Achei isso um indicativo de que a indústria de moda da Bahia está crescendo.