quinta-feira, 13 de maio de 2010

Novas leituras sobre a História do Negro

Reprodução: Gravura de Rugendas| Arquivo A TARDE
Debate enfoca História do Negro no Brasil
Por Cleidiana Ramos

Na quinta-feira, dia 13, acontece a partir das 18 horas, no Ceao, um evento que tem tudo para ser interessante. Trata-se da mesa redonda intitulada A História do Negro no Brasil Face a Outras Leituras.

O encontro vai ser coordenado por Cloves Luis Pereira Oliveira com as participações de Wlamyra Albuquerque, Francisco Carlos Cardoso da Silva, Osmundo Santos de Araujo Pinho, Nilo Rosa dos Santos, Jesiel Ferreira de Oliveira Filho e Ana Cláudia Lemos Pacheco.

Destaco aqui a participação da professora Wlamyra Albuquerque que tem pesquisas mais do que interessantes na linha de história da escravidão. Dentre os seus trabalhos está o livro intitulado O Jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil, lançado em maio do ano passado.

O Ceao fica no Largo Dois de Julho e a mesa redonda será no auditório Agostinho da Silva.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

23ª Edição da Feira de Artes da Vila Pompéia

A Vila Pompéia, em São Paulo, está comemorando 100 anos, e a festa acontece com muita arte no dia 16 deste mês de Maio. A feira acontece já há 22 anos e para esse ano o Centro Cultural Pompéia programou uma extensa agenda de eventos, além da feira que abre para o público das 9 às 19 horas. O espaço da feira terá além de artesanato de qualidade, peças de design, moda e artes plásticas. Fora isso muita diversão. Confiram a programação no site do Centro Cultural Pompéia e aproveitem!!

Concurso de esculturas patrocinado pelas fitas Scotch

Não é novidade que a 3M está patrocinando, através do seu produto fitas Scotch, um concurso de esculturas que usem como matéria prima esse material. Mas é bom lembrar que as inscrições terminam no dia 31 de maio. O tema é “Criatividade e Sustentabilidade – atividades para promover um mundo melhor” e a obra poderá ser entregue até o dia 16/08/10. Para conhecer todos os detalhes desse concurso, acesse o edital no site Criação Scotch. Enquanto isso confira um dos vencedores da edição realizada no México, na foto abaixo. Artistas, aproveitem.
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Festival de Artes Visuais da Paraiba

O mês de Maio promete muito agito artístico em João Pessoa. A Associart e seus artistas estarão expondo seus trabalhos em diversos espaços pela cidade, entre eles, a Estação de Ciências Cabo Branco e o Centro Cultural São Francisco. O 7º Festival de Artes Visuais se chama Sentimentos. Além das exposições estão previstas também, palestras, oficinas e arte terapia, tudo gratuitamente. Entre as oficinas serão oferecidos: desenho com carvão, pintura em aquarela, escultura em cerâmica e arte postal. Inscrições e informações nos telefones:
Telefone: (83) 9921.8509 / 8853-8780 / 8738-2365
Horário: das 08h às 18h

Prestigiem e participem de mais essa oportunidade de conhecer os artistas paraibanos.

LINK

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Kit de accesorios Foxfoto para flashes

Com um simples Flash Speedlight vc pode fazer milagres com esses acessórios:

Curso de Economia Criativa

Curso Economia Criativa: um modelo sustentável e focado em futuro

Começaremos o Curso de Economia Criativa Desenvolvimento Sustentável e Futuros com chave de ouro. Ganhamos mais um dia e um convidado de honra: George Yúdice estará no Brasil e abrirá com uma conversa para troca de experiências no dia 13 de maio das 20h às 22h.

Obs: ver post do curso, abaixo.

Coleção Viva Cultura Viva

Já está disponível no site www.vivaculturaviva.org.br a Coleção Viva Cultura Viva, que integra o projeto Prêmio Cultura Viva - Formação. O acervo é composto por 11 vídeos (5 minutos cada um), seis debates (20 minutos cada um) e o site. O objetivo deste material é o de difundir conceitos e promover reflexões sobre questões contemporâneas relacionadas ao campo da cultura em suas diferentes dimensões, como por exemplo, o processo criativo, as artes, a educação, a sustentabilidade, as redes sociais e a participação cidadã.

domingo, 9 de maio de 2010

Curso Economia Criativa

Curso Economia Criativa: um modelo sustentável e focado em futuro

Entre os dia 14 e 15 de maio, a consultora e especialista em economia criativa, Lala Deheinzelin, promove, em São Paulo, o curso Economia Criativa: um modelo sustentável e focado em futuro.

Considerada a estratégia de desenvolvimento do século XXI, a Economia Criativa baseia-se em recursos abundantes e, sobretudo no hemisfério sul, subutiliza cultura, conhecimento e criatividade.

Desde 2005, Lala desenvolve um modelo para atuar em Economia Criativa focado em desenvolvimento sustentável e visão de futuro. Um modelo prático adequado a empreendedores criativos, gestores públicos e privados, e demais interessados no tema.

O curso será realizado no Espaço Crie Futuros (Rua Doutor Cícero de Alencar, 69, Butantã. São Paulo – SP), das 09h às 18h. O investimento é de R$600,00 (alimentação incluída). O valor pode ser parcelado no cartão de crédito em até 12x pelo sistema PagSeguro do UOL.

Mais informações pelo telefone (11) 3726-5167, pelos e-mails dina@enthusiasmo.com.br e tatiana@enthusiasmo.com.br, ou pelo site http://laladeheinzelin.com.br/

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Foi um estrondo de vendas...

Cildo Meireles, Babel 2001, Tate. Presented by the American Fund for the Tate Gallery 2007, Radios, metal, 300x500cm
Estadão - Camila Molina
Pelos cálculos, fechados até ontem, o volume total de vendas de obras na 6.ª SP-Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo, que ocorreu até domingo no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, ficou entre R$ 30 milhões e R$ 32 milhões. "É um balanço pendente", como diz a diretora do evento, Fernanda Feitosa, porque, segundo ela, há negociações de obras ainda correndo, um movimento corriqueiro pela natureza de feiras. De qualquer maneira, como Fernanda estima, o balanço de 2010 revela aumento de cerca de 15% em se comparando com a edição passada da SP-Arte, de 2009, que teve cerca de R$ 26 milhões (ou US$ 15 milhões) de vendas. Não existe mesmo crise nenhuma no mercado de arte brasileiro.
No mesmo fim de semana em que ocorreu a feira na Bienal, com participação de 80 galerias, nacionais e estrangeiras e visitada por 15.795 pessoas, a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro realizou em São Paulo dois leilões, um de arte moderna e outro de arte contemporânea, design e fotografia. Como conta Jones Bergamin, diretor da Bolsa de Arte, cada leilão rendeu em torno de R$ 2 milhões de vendas - o grande destaque foi This Is a Canvas, This Is a Box, acrílica sobre tela de 1996 de Cildo Meireles, arrematada por R$ 400 mil.
Cálculos. "É um momento financeiro muito bom, graças a Deus!", festeja Alessandra d"Aloia, presidente da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abac), que agrega 20 galerias de 5 Estados e sócia da Galeria Fortes Vilaça, uma das mais importantes de São Paulo. Segundo cálculos da Abac, entidade criada em 2008, houve aumento de 30% de venda de obras de seus associados nesta 6.ª SP-Arte. "É um estrondo", define Alessandra. Pela primeira vez a Abac se dedicou a fazer um balanço de volumes vendidos.
Mas fazer cálculos de feiras é sempre complicado, ainda mais porque se misturam os chamados mercados primários e secundários no mesmo evento. No caso da SP-Arte, que reuniu cerca de 2.500 obras - e também promoveu cerca de R$ 190 mil em doações do Shopping Iguatemi, Banco Espírito Santo e da colecionadora Cleuza Garfinkel para aquisições destinados aos acervos da Pinacoteca do Estado, Museus de Arte Moderna de São Paulo e da Bahia -, há uma especificidade: ela é uma feira na qual colecionadores não arrematam peças de valores milionários ou mais caros. "Pode-se dizer que trabalhos de até US$ 50 mil se vendem bem", conclui Alessandra, exemplificando que foi A Coluna de Cinzas, de Nuno Ramos, vendida a US$ 90 mil, a peça de valor mais alto vendida no estande da Galeria Fortes Vilaça, que tem ainda em seu time nomes como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Ernesto Neto.
Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke Cultural, afirma que Figura em Azul, pintura moderna de cifra milionária de Ismael Nery e datada de 1928, considerada uma das mais caras desta 6.ª edição da SP-Arte, ainda está em negociação. "As obras de menor valor são vendidas, as de mais valor, demandam negociação", diz Perlingeiro. A escultura em bronze de 1945 de Maria Martins exibida no estande da Arte 57, que também seria um destaque do evento, cotada a R$ 1,5 milhão, saiu sem comprador. "Acredito que haja mais folclore do que realidade quando se fala de uma efervescência do mercado. Colecionadores interessados em coisas excepcionais estão negociando muito. A euforia existe para arte contemporânea de valor palpável", pondera Max Perlingeiro.
Números
A Feira Internacional de Arte de São Paulo revela alguns dados
32 milhões de reais foi o volume estimado de vendas na edição deste ano
15% de aumento de faturamento em relação a 2009, que movimentou R$ 26 milhões
190 mil reais foi o valor aproximado de doações para instituições de São Paulo e Bahia
15.795 visitantes em cinco dias de feira, 20% a mais que em 2009
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100507/not_imp548148,0.php

Estão abertas incrições para Projeto Irradiar – Edição Bahia

Jovens da periferia urbana da Bahia tem até o dia 27 de maio para realizar suas inscrições on line. O curso irá acontecer na sede da Diretoria de Audiovisual/Funceb, nos Barris.
Estão abertas inscrições para oficinas de formação de roteiristas e cineastas para atuação em projetos audiovisuais, com destaque para TV, internet e jogos eletrônicos, com objetivo na capacitação em formatos relacionados com as novas tecnologias de comunicação e com a difusão multimídia. Para participar é necessário que os jovens acessem o endereço eletrônico http://www2.tempoglauber.com.br/irradiar, onde pode ser lido o regulamento e realizar o preenchimento da ficha de inscrição. Os inscritos passarão por uma entrevista para seleção dos 80 participantes das oficinas.
O Projeto Irradiar é realizado pelo Tempo Glauber, através de convênio firmado com o Fundo Nacional da Cultura/Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Na Bahia o projeto recebe o apoio da Secretaria de Cultura do Estado - SecultBa, através do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - IRDEB e Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, por meio da Diretoria de Audiovisual – DIMAS.
Essa é a primeira edição do projeto, que acontecerá no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Paraíba. O programa objetiva capacitar jovens profissionais na área do audiovisual, com foco na inclusão sócio–educacional para formação de novos profissionais e a inserção desses no mercado de trabalho.
O projeto é coordenado por Conceição e Orlando Senna que, junto com mais cinco outros professores, irão ministrar as oficinas. O plano didático é composto por módulos com duração de duas semanas cada e oficinas de Criação Multimídia, Desenvolvimentos de Jogos Eletrônicos, Dramaturgia Audiovisual, Roteiro para Programas de Televisão, Fundamentos Dramatúrgicos.
“De maneira geral, o início de qualquer projeto audiovisual, seja ele um filme, uma série para TV, uma novela ou um jogo, começa no roteiro. E a base do roteiro é, fundamentalmente, a dramaturgia. Esse é o grande foco do Irradiar, um projeto que, além de inovador e alinhado com as demandas do mercado, ousa direcionar sua ação para um público que usualmente cumpre papel de consumidor de conteúdos audiovisuais. A promessa do Irradiar é estimular esse público a produzir seus próprios conteúdos, trazendo à tona suas histórias, suas vidas, suas visões de mundo, em forma de filmes, jogos, programas e séries televisivas, ou outras formas de expressão audiovisual”, afirma Sofia Federico, diretora de Audiovisual da Funceb.
Mais informações do site: www.realidadesintetica.com

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fé e Futebol

Por Cleidiana Ramos

Para lançar o segundo uniforme da Seleção Brasileira, a Nike escolheu o tema Mandingas e lançou um vídeo com esse nome que vocês podem conferir aí em cima.

Achei interessante, pois foi a única vez em que vi uma referência, que pode ter vários questionamentos, claro, a elementos das religiões afro-brasileiras de uma forma que não é totalmente jocosa no campo dos esportes.

Uma curiosidade do vídeo é que o jogador Robinho conta que seu avô era pai-de-santo e que previu o seu futuro como atleta. Prestem também atenção no rapper que Luis Fabiano canta no fim.

A mística que cerca a camisa azul da Seleção Brasileira tem base num episódio ocorrido em 1958: pega de surpresa por não ter um segundo uniforme, a delegação teve que improvisar colocando o escudo da amarelinha num conjunto azul. Para justificar e levantar o moral do grupo, o chefe da delegação discursou dizendo que aquela era a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. A seleção ganhou o jogo por 5X2 e sagrou-se campeã mundial pela primeira vez na até hoje maior goleada em finais de Copa.

O Brasil já tinha jogado de azul em 1938, mas não pegou. Predominava um uniforme branco que foi aposentado após a fatídica derrota para o Uruguai em 1950. A partir daí o amarelo reinou soberano.

Não é de hoje que jogadores utilizam símbolos religiosos no momento que fazem o gol apontando os dedos para cima, por exemplo. Nos últimos anos virou moda as camisetas dos que são evangélicos com declarações de amor a Jesus.

Mas a Fifa não anda muito satisfeita com tanto fervor religioso. Logo após a última edição da Copa das Confederações, os jogadores brasileiros se uniram no centro do campo para ajoelhados rezarem o Pai Nosso. O gesto não pegou bem, pois países que defendem a laicidade do Estado- e as seleções representam nações- reclamaram, porque temem que o esporte se torne uma arma perigosa de propaganda religiosa e consequentes enfrentamentos.

Uma das confederações que se insurgiu contra a prática dos brasileiros foi a Federação da Dinamarca. Circulou a notícia de que a Fifa chegou a repreender a CBF pedindo menos fervor religioso. Vamos observar o que vai acontecer durante os jogos da Copa.

Eu, particularmente, confesso que fico incomodada, não com a demonstração de fé, pois isso é questão de consciência, mas com o discurso de alguns jogadores que parecem pregação religiosa. Na fala de alguns parece que Deus privilegia determinadas equipes em detrimento das demais.

No ano passado inclusive, uma declaração da mulher do jogador Kaká botou mais lenha nessa fogueira. De acordo com o vídeo que circulou no youtube a moça considerava a venda do marido, uma das maiores da história, um “milagre de Deus”, em tempos de crise. Os dois são da Igreja Renascer. Segundo notícias, a direção do Real Madrid pediu ao atleta para ter cuidado com este tipo de associação.

E vocês? O que acham de religião misturada a futebol?

Guias auxiliam em elaboração de projetos

Por Blog Acesso

Com o surgimento das leis de incentivo fiscal e o aumento do interesse não só do setor privado, mas também do poder público, em investir em projetos culturais, veio à tona uma grande carência de informações sobre como elaborar tais projetos e como colocá-los em prática. Para reverter essa situação, algumas instituições resolveram criar guias que mostram o passo a passo da construção de um projeto cultural.

O Guia SESI de Investimento Cultural é uma das iniciativas neste sentido. Produzido entre 2004 e 2005, e lançado em 2006, o Guia, hoje disponibilizado gratuitamente na internet, na verdade, nasceu de uma necessidade de sistematização da informação do próprio SESI. De acordo com a gerente da área de cultura do SESI, Cláudia Ramalho, “observamos uma fragilidade grande no que denominamos rede semântica da Instituição. Entendimentos sobre cultura eram muito variados nos departamentos do SESI espalhados pelo País e precisávamos estruturar um pensamento sistêmico, construir uma visão compartilhada de cultura no SESI. Então, identificamos a necessidade de investir na qualificação de nossos profissionais”.

Mas a resolução de produzir o guia também considerou as pesquisas elaboradas pelo CNI – Confederação Nacional de Indústrias, que apontavam uma perspectiva grande de aumento do investimento em cultura por meio das leis de incentivo. Uma vez que o SESI tem o papel de assessorar empresas por todo o Brasil, o guia tornou-se necessário. “O envolvimento de empresas, gestores, e dirigentes é fundamental para o desenvolvimento do País. Mas é preciso observar o papel da cultura nesse desenvolvimento”, diz Ramalho.

Apesar de ter sido elaborado com o intuito de suprir uma demanda interna, o Guia passou a ser uma referência para gestores e produtores dos setores público e privado, o que ocasionou o rápido esgotamento da tiragem inicial de 5 mil exemplares. “Distribuímos para programas de capacitação de agentes culturais, universidades, institutos culturais e, conforme solicitação, também para outros interessados. Em função dessa grande demanda, resolvemos disponibilizar o conteúdo na internet, o que permite atingir um maior número de pessoas”, afirma Ramalho.

A gerente revela que, por conta de mudanças na legislação vigente, o SESI deve atualizar as informações do guia e produzir um volume 2 da obra, que terá versão impressa e digital. “Nesse volume detalharemos minuciosamente a natureza da elaboração dos projetos. Informaremos, inclusive, sobre direitos autorais, pagamento de taxas, pesquisas, determinadas perícias e vistorias que devem ser feitas”, explica.

Ainda estão previstos para o final deste ano o lançamento de mais manuais centrados na gestão de informação e conhecimento. O primeiro, intitulado Engenharia cultural – marketing cultural para gestores, projetos e estratégias de negociação, trará conceitos e conteúdos sobre cultura e mercado, ciclo de produção cultural, cultura e interface com esporte, turismo, lazer e moda, além de casos de sucesso. O segundo, ainda sem título definido, tratará de gestão cultural e Lei Rouanet, trazendo informações sobre leis, administração de projetos, pesquisa, planejamento e sugestões de bibliografia. Por fim, o terceiro terá como enfoque o marketing cultural para patrocinadores.

Outra iniciativa que merece destaque é a conduzida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). A Fundação promove, desde 2007, workshops sobre elaboração de projetos culturais, além de 23 editais para áreas artísticas. “Quando iniciamos os editais, notamos uma carência grande de informações no interior do Estado o que se refletia no resultado: os projetos selecionados eram majoritariamente da capital. Resolvemos , então, criar uma oficina rápida para elaboração de projetos que, inicialmente, iria ao interior do Estado dar subsídios e incentivar a inscrição nos editais. Por ausência de um material de fácil compreensão, que contemplasse todos os itens que cobrávamos nos editais, decidimos criar o nosso próprio manual e distribuí-lo nos workshops”, conta a Diretora de Espaços Culturais da FUNCEB, Giuliana Kauark.

Para produzir o guia, a Fundação utilizou outros manuais sobre o assunto, como o Manual de Apoio à Elaboração de Projetos de Democratização Cultural, elaborado pelo Instituto Votorantim.

O manual da FUNCEB passou a servir de apoio aos workshops realizados em 65 cidades da Bahia, com uma média de 50 participantes por edição. Apesar de o público-alvo ser formado por produtores, artistas e possíveis proponentes de projetos, seja para editais do MinC, da Funceb, ou de empresas, o evento é aberto ao público. Ao se inscrever, gratuitamente, o participante recebe uma cópia do manual. E são, justamente, os participantes que ajudam a atualizar as informações do guia, a cada edição do workshop.

Em 2007 e 2008, o evento foi realizado semestralmente, totalizando 82 oficinas – 67 no interior do Estado e 15 em Salvador. “Capacitamos 2600 pessoas que produziram mais de 300 projetos. E, logo após a primeira edição, observamos que muitos dos projetos inscritos nos editais da FUNCEB vinham do interior do Estado”, afirma a Diretora de Espaços Culturais da FUNCEB.

Segundo a coordenadora de núcleo de formação da FUNCEB, Ana Claudia Ornelas, “a 5ª edição do workshop está prevista para acontecer na segunda quinzena de maio, nas cidades de Itabuna, Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana, Valença, Vitória da Conquista e Porto Seguro”. Na capital, as oficinas serão sediadas nos centros culturais Cine Teatro Solar Boa Vista, Cine Teatro Lauro de Freitas e Centro Cultural Plataforma.

Confira abaixo 10 manuais disponíveis na rede.

01. Manual de Apoio à Elaboração de Projetos de Democratização Cultural

02. Guia Sesi de Investimento Cultural

03. Manual FUNCEB

04. Guia de Apoio Cultural

05. Manual Pronac

06. Manual do Produtor – Cinema e Audiovisual

07. Manual de Execução de Projetos Culturais

08. Manual de Patrocínios e Elaboração de Projetos

09. Como Elaborar um Projeto Cultural

10. Manual de Gestão de Projetos Culturais – Incentivo Fiscal

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Festival de cultura e arte negra

O Norte - Michelle Tondineli
O mês de maio promete ser cheio de eventos alusivos à cultura negra. Dia 13 de maio é o dia da lei áurea, que será tema de discussão no Fecan - Festival de cultura e arte negra. Além disso, o evento pretende refletir com toda a comunidade sobre os motivos da abolição e se ela aconteceu de fato. A abertura aconteceu sábado no Necun - Núcleo de estudos da cultura negra. A programação é extensa e vai até o dia 22 de maio.
De acordo com o organizador do evento, Hilário Bispo, o objetivo é resgatar a cultura negra e fazer uma interação com o movimento negro do Norte de Minas.
MICHELLE TONDINELI
Hilário Bispo diz que o Fecan pretende promover reflexão.
- Neste evento deixamos o dia 13 para debates e uma reflexão sobre os 122 anos de abolição. O mês de maio foi selecionado por ser a data da abolição, mas, que abolição é esta? Quando tivemos a ideia de fazer o Fecan, foi por este resgate, aliando política, cultura e fazer artístico de muitos artistas escondidos - afirma.
O evento será marcado por oficinas de samba, de máscaras africanas, de percussão, de dança afro, de hip hop, de grafite, de roda de capoeira, culinária africana e penteado africano, além do 3º Encontro de Negras e Negros do Norte de Minas, Juventude, Mídia e Racismo e do 1º Encontro de Grafiteiro.
Para Hilário, a discussão sobre 13 de maio será essencial para pensar sobre a mulher negra no mercado de trabalho, a juventude negra e as religiões da cultura afro.
- Fazendo estas discussões, podemos apontar o que o movimento negro acrescenta para o município. Penso que tem que ter uma parceria entre a entidade e o poder público. O conselho concilia as ações, em nível de município, estado e Brasil - afirma.
O Fecan traz novidades neste ano, com o salão de artes visuais, que será dividido em categorias como fotografia, desenho, escultura e pintura.
- Vamos fazer um trabalho com os grafiteiros, voltado para o povo da periferia. Queremos promover um bate-papo e grafitar um muro no local. É um trabalho feito com muita dificuldade e estamos buscando apoio, uma divulgação maior, apoio das escolas - finaliza.
As inscrições são gratuitas, exceto para as oficinas de capoeira e penteados afro, para os quais será cobrada uma taxa, e podem ser feitas no DCE da Unimontes, no Necum e na casa da cidadania. Estudantes de nível superior recebem certificado e são mais de 50 horas de atividade.
FECAN PRETENDE FORTALECER MOVIMENTO NEGRO
O Fecan também realizará neste ano intercâmbio cultural com negros de outras cidades.
- Tentaremos nos programar para expandir mais para a região. A festa de encerramento vai ser com o pessoal do hip hop, o Black Consciente – afirma Bispo.
Para Hilário, o movimento negro cresceu muito nos últimos anos, o que fortaleceu o evento.
- Fazíamos movimentos isolados e hoje fazemos em conjunto, embora o movimento tenha tendências de pensamento diferentes. Hoje, a cidade já conta com Necun, para estudar o negro. E este crescimento vem da consciência de cada pessoa na sociedade, que faz a cultura afrobrasileira acontecer. Já realizamos várias conferências para negros e queremos que no espaço do Fecan, dia 13 de maio, possam ser colocados estes pontos em discussão - finaliza.

Editoras têm dúvidas sobre livros digitais

Livraria Cultura completou um mês com vendas também de conteúdo digital, com quase 200 títulos vendidos

Ubiratan Brasil - O Estado de S. Paulo

Com dúvidas sobre qual ferramenta escolher para lançar seus títulos no formato digital, as editoras deixaram a corrida para as livrarias. Assim, na sexta-feira, a Livraria Cultura completou um mês com vendas também de conteúdo digital, com quase 200 títulos vendidos. Nesta terça, 4, o site da livraria apontava Leite Derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque de Holanda, como o e-book mais vendido do momento.

A briga deverá engrossar em poucos dias, quando finalmente a Saraiva também entrar no mercado das e-bookstores, que já conta com a Gato Sabido, pioneira no ramo.

"As editoras ainda têm dúvidas sobre qual caminho seguir", diz Pedro Herz, presidente da Cultura. "Assim, preferem que as livrarias façam inicialmente a intermediação."

O resultado é que os livros digitais são oferecidos tanto no formato escolhido até agora como padrão pelo mercado, o ePUB, como no Adobe Digital, mais comum no Brasil. Os preços são mais convidativos no digital que as edições em papel, que geralmente custam o dobro do valor.

O receio dos editores ainda é a questão jurídica em relação aos direitos autorais, pois muitos contratos continuam sem prever direitos no novo formato.

Nem todas, porém, sofrem da mesma dor de cabeça. A Matrix, por exemplo, pequena editora fundada há dez anos, sempre firmou contratos com cláusulas prevendo como seria feito o pagamento de direitos digitais. "Portanto, hoje, isso para mim está bem simples", diz o editor Paulo Tadeu.

Cultura e sustentabilidade

FOTO: Jason Means
Leonardo Brant
Sustentabilidade. O grande tema do novo milênio surge como um alerta promovido por ativistas e organismos internacionais para a escassez dos recursos naturais disponíveis no planeta diante da fúria do capitalismo global. Este, por sua vez, como se não fosse o grande responsável pela catástrofe anunciada, tomou a dianteira desse processo e ressignificou, talvez de maneira irreversível, o próprio conceito de sustentabilidade.

A demanda por desenvolvimento (agora sustentável) abriu novas frentes de exploração e especulação mercadológica, com base em créditos de carbono, carteiras de investimento “éticos” e uma série incontável de produtos, já anunciam um processo de “commoditização” da sustentabilidade.

Mas quando falamos de responsabilidade ambiental ou social, referimo-nos, em última análise, a uma necessidade de mudança de comportamento e atitude em relação a nós mesmos e ao planeta em que vivemos. Uma questão cultural, portanto.

Por outro lado, a questão cultural é inexplicavelmente deixada de lado. Não faz parte do vocabulário e das discussões estratégicas no campo da sustentabilidade.

Por que o mesmo tipo de convergência das agendas sociais não se efetivou do lado da cultura? Por que o apelo do marketing e do entretenimento sobrepõe-se às questões de relevância para o desenvolvimento cultural? Como buscar uma afinidade temática entre as questões ambientais e as responsabilidades social e cultural?

* Trecho do livro O Poder da Cultura.

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl.

sábado, 1 de maio de 2010

Procultura

Artistas baianos defendem descentralização de recursos

O segundo encontro regional sobre modernização da Lei Rouanet (PL n°6722/2010, que institui o Procultura) lotou a Sala do Coro do Teatro Castro Alves, em Salvador/BA, no dia 30 de abril. Entre sugestões e dúvidas, o público foi unânime em defender as mudanças na atual lei de incentivo federal à cultura para corrigir distorções na distribuição dos recursos públicos entre os estados. Essa etapa de debates, que acontece em várias regiões do país, é promovida pela Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, para aperfeiçoar o projeto enviado pelo Ministério da Cultura.

Na região Nordeste, mais de 70% do financiamento à cultura se dá por meio do orçamento do Ministério. “É assim que deve ser, de forma direta, com critérios públicos, sem precisar bater de porta em porta”, avaliou o ministro Juca Ferreira.

Durante a reunião, o ministro ressaltou que os investimentos da renúncia fiscal estão concentrados no eixo RJ-SP, e que, mesmo nesses estados, apenas 3% dos proponentes ficam com mais da metade dos recursos. “Não é possível aplicar dinheiro público de forma tão concentradora e privilegiada. A Lei Rouanet não tem critérios públicos, mas privados”, disse o ministro, ao mencionar que a renúncia fiscal corresponde a 80% do total aplicado pelo governo federal em produção cultural.

Com o Procultura, haverá uma inversão: 20% do financiamento será via renúncia, e 80% se dará pelo orçamento do Ministério. Segundo o ministro, isso possibilitará que projetos culturais que não têm apelo de mercado, mas são importantes para a construção da identidade brasileira, possam ter mais acesso a recursos públicos.
Juca Ferreira também criticou o fato de o empresariado no Brasil, salvo exceções, não investir em cultura. Apenas 5% são recursos privados, o restante é fruto da renúncia fiscal. “Precisamos desprivatizar o Estado. O Ministério não é contra parceria pública-privada, temos interesse em fazer uma parceria justa - e que fique claro quanto é investimento público e quanto é privado”.

Para a relatora do PL 6722/2010 na CEC da Câmara, deputada federal Alice Portugal (PCdoB/BA), além de descentralizar recursos com critérios públicos, o Procultura “modifica o espírito da Lei Rouanet, que finge que a iniciativa privada investe em cultura, mas a maioria do recurso é público”.

O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, comemorou o conjunto de leis da cultura em tramitação no Congresso Nacional, como o Sistema Nacional de Cultura e a PEC 150, assim como o avanço no debate do Procultura. “O Brasil já entendeu que precisa da nova lei, inclusive no Eixo RJ-SP. A sociedade se coloca como agente de transformação e políticas de governo estão se tornando políticas de Estado”.

Na opinião de Eloisa Galdino, secretária de cultura de Sergipe e presidente do Fórum de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura do Nordeste, se não houver mudanças na Lei Rouanet, “esse sistema perverso vai continuar”. “O Nordeste precisa ter acesso aos recursos à altura da sua riqueza cultural”.

A presidente do Conselho Estadual de Cultura, Lia Robato, retomou sua própria experiência para defender o fortalecimento de fundos públicos para financiar a cultura. “Antes não havia um sistema de apoio à cultura, me sentia como uma mendiga, se o diretor da empresa fosse com a sua cara, financiaria. Fundos públicos são o melhor caminho”.

Fernando Marinho, presidente do Sindicato dos Artistas da Bahia, alertou para a distribuição equilibrada de recursos não apenas entre as regiões do país, mas entre capitais e cidades do interior.

Para o músico e professor Joel Barbosa, com a reformulação da Lei de Incentivo, “temos a chance de ter uma ferramenta que traga decência ao financiamento da cultura”.

Propostas

O público participou ativamente do debate. Relatos, dúvidas e sugestões vieram de diversas áreas. Uma delas propõe a inclusão de pessoas físicas e do pequeno investidor na renúncia fiscal. O Fórum de Dança da Bahia sugeriu um fundo específico para o setor. Uma empresária destacou a importância da avaliação com foco nos resultados, além da desburocratização para todo o processo de captação de projetos culturais. Todas as considerações serão analisadas pela CEC.

Texto: Renina Valejo (Comunicação Social/MinC)

Fotos: Roberto Abreu

sexta-feira, 30 de abril de 2010

ISE Ratinan Thaijareorn pintando poltronas!!

Tinta e poltronas normalmente não combinam; ainda mais se você tem filhos pequenos! Mas é aquela história: eles crescem! E podem virar artistas como a ilustradora tailandesa ISE Ratinan Thaijareorn! Aí tudo muda de figura! Poltronas e cadeiras para ela servem como telas e dá pra entender o que eu estou falando, se você olhar as fotos desta dupla confeccionada na loja Adidas Original do Siam Center de Bangcoc. Usando pincel, tinta acrílica e muita criatividade, ela literalmente faz arte móvel.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Bahia sedia 2º encontro regional do Procultura

Carina Teixeira - Cultura&Mercado

Salvador vai sediar mais uma etapa de discussões para propostas, sugestões e moções ao Projeto de Lei nº 6.722/2010, que cria o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura). O debate será conduzido pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, durante reunião pública a ser realizada nesta sexta-feira, 30 de abril, a partir das 10h, no Teatro Castro Alves (Praça Dois de Julho, Campo Grande).

Dentre as principais mudanças na Lei Federal de Incentivo à Cultura estão a renovação do Fundo Nacional de Cultura (FNC), reforçado e dividido em nove fundos setoriais; a diversificação dos mecanismos de financiamento; o estabelecimento de critérios objetivos e transparentes para a avaliação das iniciativas que buscam apoio financeiro; o aprofundamento da parceria entre Estado e sociedade civil para a melhor destinação dos recursos públicos; e o estímulo à cooperação federativa, com repasses a fundos estaduais e municipais.

O debate em Salvador será o segundo encontro regional sobre o PL que está em tramitação no Congresso Nacional. A primeira reunião pública para discutir o Procultura ocorreu em São Paulo, na última segunda-feira, dia 26. Participaram o secretário executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, e os deputados Ângelo Vanhoni e Alice Portugal, respectivamente presidente da Comissão de Educação e Cultura (CEC) e relatora da matéria.

Com apoio do MinC e agendamento feito pela CEC da Câmara dos Deputados, serão promovidos mais cinco encontros regionais – Curitiba, 3 de maio; Porto Alegre, 4 de maio; Belém, 7 de maio; Recife e Rio de Janeiro, 10 de maio – e uma audiência pública em Brasília, no dia 13 de maio. A programação completa, com horários e locais, será divulgada nos próximos dias. Mais informações pelo telefone (61) 2024-2407, na Comunicação Social do MinC. Para conferir a íntegra do projeto, clique aqui.

* Com informações do MinC

Sobre "Carina Teixeira " http://www.ctcomunicacoes.com.br

Jornalista e sócia da empresa CT Comunicações.

Empresa de cosméticos banca discos de MPB

Natura está financiando os próximos álbuns de artistas como Carlinhos Brown, Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci. Especialistas dizem que nova configuração do mercado é consequência da crise e da grande quantidade de artistas
FOLHA DE S. PAULO
28 - 04 - 2010
Os novos discos de Carlinhos Brown, Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci estão sendo gestados não com a ajuda de gravadoras, mas da Natura. A empresa de cosméticos está bancando todos os custos de produção dos álbuns. Além disso, financiará, coma ajuda de leis de incentivo fiscal, vários shows desses artistas.
A empresa não divulga quanto gasta em seu projeto Natura Musical. A iniciativa envolve ainda um programa de rádio (na Eldorado) e um site com conteúdo de música brasileira.
Segundo Renata Sbardelini, gerente de marketing institucional da marca, os artistas têm "total liberdade" para escolher como gravar os discos e distribui-los. "Não interferimos no preço do CD", diz a executiva. Em relação aos shows, ela diz que, por fazer uso de incentivo fiscal (30% dos custos; o restante é patrocínio direto), os ingressos necessariamente têm de ter preços "populares".
As gravadoras estão se tornando supérfluas? Serão extintas? Alexandre Schiavo, presidente da Sony, acha que não.
"Essa movimentação acontece no mercado americano. Aqui no Brasil é novidade. É algo saudável. É um mercado que se encontra cada vez mais diversificado e é rentável. A questão é saber como trabalhar a música diante do mercado atual. É saber se adaptar."
Para Schiavo, quem busca patrocinar um artista ou um disco procura normalmente alguém já estabelecido: "Dificilmente você encontrará uma marca disposta a dar dinheiro para alguém desconhecido".
Rafael Rossato, da Agência de Música -que cuida da carreira de Mallu Magalhães, pensa diferente: "Tem muito artista na rua, muita coisa acontecendo. E as marcas estão interessadas em entrar nesse negócio. Perceberam que podem fazer ações diretamente com os artistas, sem passar por gravadoras. Mas os artistas realmente grandes permanecerão nas gravadoras. Para as empresas de fora, é uma oportunidade de fazer negócio com artistas médios ou iniciantes".
O produtor cultural Pena Schmidt segue linha de raciocínio parecida: "Essa crise [da indústria fonográfica] já existe há algum tempo, então percebeu-se que o problema era o setor fonográfico. Esse setor dançou, mas a música vai muito bem. A música não para de ser feita, e os artistas estão se tornando autônomos. Há uma mudança de modelo muito grande, muito abrangente".
Mudança de modelo fez a agência de DJs 3Plus. A empresa está custeando o primeiro disco da celebrada banda Copacabana Club, que está sendo produzido por Dudu Marote (Pato Fu, Skank). Quando o álbum estiver pronto, será distribuído de forma singular: quem contratar o show do grupo receberá uma quantidade de CDs para comercializar ou distribuir gratuitamente.
Outra empresa namorando esse ambiente é a agência de comunicação Cinnamon. De assessoria a empresas de cinema, a Cinnamon entrou no mercado de shows pop. Em parceria com a agência Inker, fará os shows de Cat Power, Mudhoney e Yann Tiersen na Virada Paulista, em maio.
(THIAGO NEY)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Reunião pública do PROCULTURA x MINC em Salvador

O Procultura é o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, que está em discussão para ser instituído no Ministério da Cultura através do Projeto de Lei nº 6722/2010, que se encontra na Câmara dos Deputados.
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, está realizando uma série de reuniões pelo país para discutir o Procultura.
Em Salvador, está programado para ocorrer na próxima sexta-feira, dia 30 de Abril, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, às 10h.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Entrevista: Leonardo Brant - especialista na área de políticas culturais

"Quem faz cultura tem poder"
por Tatiana Wuo
twuo@redegazeta.com.br
Leonardo Brant é um nome conhecido do cenário cultural nacional. Pesquisador de políticas culturais, ele já foi diretor da revista "Imprensa" e lançou os livros "Mercado Cultural", "Políticas Culturais" e "Diversidade Cultural". É editor, desde 1998, do blog "Cultura e Mercado", considerado um dos mais influentes sobre o assunto no Brasil - e com uma audiência que supera a de alguns jornais do país, como ele mesmo revela.
Na última quinta-feira, Leonardo esteve em Vitória para lançar o seu novo livro, "O Poder da Cultura", que ainda vai render um seminário em maio (informações em breve no site oficial da obra, opoderdacultura.com.br). No bate-papo com produtores culturais e representantes da área, ele falou sobre políticas públicas, leis de incentivo e sobre a dificuldade de definir o termo cultura. Com exclusividade para A GAZETA, em conversa antes da palestra, Brant afirmou a necessidade de criação dos chamados "serviços culturais" e destacou como a emergência das novas mídias pode ser positiva.
Como o livro aborda o poder da cultura?
O que eu tento apresentar no livro é que a ideia de cultura nasce a partir de relações de poder. Não existe cultura sem relação de poder. Eu faço uma análise da cultura a partir das dinâmicas socioculturais com esse filtro das relações de poder. É um livro sobre a função política da cultura.
A cultura seria um poder?
Na verdade, eu falo do poder de quem faz cultura. Cultura eu defino como um plasma invisível que a gente não consegue identificar. E como vamos dar poder para isso que a gente mal sabe o que é? Mas, sem dúvida, quem faz cultura tem poder, seja um poder no sentido do cidadão, da capacidade de se manifestar, colocar suas pautas e desenvolver a sua ação política. Eu parto da definição de cultura da Unesco, que está relacionada aos modos de vida, às crenças, aos valores. Sem querer contrapor essa definição, tento buscar mais do conceito. Quero dar uma perspectiva nova, da cultura como o que você pode extrair desse modo de vida e dos valores para transformar. Esse "para transformar" não está contemplado no conceito da Unesco.
Para transformar o quê?
A gente desde o começo apresenta a cultura do ponto de vista do indivíduo, do grupo social e da sociedade como um todo. Essas dimensões são convergentes. Se eu me transformar, eu transformo meu entorno e eu transformo a sociedade. Mas o mais importante é se transformar. E aí eu falo de qualquer dinâmica cultural, seja da cultura popular, da arte contemporânea; qualquer tipo de expressão e processo que passe pela questão cultural. Vai te transformar e auxiliar no embate cotidiano que o ser humano tem, de tentar se reconhecer, se identificar, saber a que veio.
Nesse sentido de transformações, os artistas devem ter função social ou política?
Mesmo sem se dar conta, sim. Eles têm uma dimensão política que é intrínseca ao fazer cultural. Assim como existe uma dimensão social e econômica no fazer cultural, mesmo que não se faça com uma intenção específica, existem os efeitos políticos, eles estão ali, mesmo que você não queira olhar para eles.
Então como se dá a transformação da cultura em produto?
Eu considero essa dimensão econômica da cultura, dentro do ambiente em que vivemos - de um país capitalista, embora muitas pessoas não queiram admitir - importante, mas outra coisa é a dimensão cultural da economia. A nossa sociedade do consumo, do espetáculo, está muito subordinada a ditames de comportamento que foram dados e construídos por sistemas culturais preestabelecidos que muitas vezes a gente não se dá conta que existem. Faz parte da estratégia dos sistemas de poder de informação não falar sobre os meandros de seu próprio sistema. Faz parte do processo cultural tentar explicitar um pouco mais as relações de poder, como se dão e como a nossa relação com esses sistemas de construção do imaginário acontece. Aí a gente começa a compreender o sistema financeiro e que tem uma relação de equilíbrio entre o lado cultural e o econômico.
Nesse processo, o que você acha das leis de incentivo?
Com certeza não é a melhor maneira de se realizar atividade cultural no país, mas é a que temos. Não devemos abrir mão dele por uma coisa que não sabemos o que é. É um assunto polêmico, que tem diversas nuances, mas acho que não devemos abrir mão da lei de incentivo em troca de um discurso de retomada do papel do Estado na cultura, porque por enquanto é só um discurso. Quando a gente construir dez anos de investimentos diretos e consolidados que sejam isentos, autônomos, e não seja algo atrelado a questões políticas e eleitorais, aí teremos um sistema um pouco mais desenvolvido. A sociedade precisa incorporar esses processos.
Como é esse acesso à cultura pela população?
Existe o direito de conhecer as outras culturas. Para isso o Estado precisa fornecer esses tais serviços culturais. A nação brasileira sequer sabe o que é serviço cultural. Sabe o que é serviço de saúde, de educação. Isso acontece porque fomos alijados desse direito na formação do nosso Estado. Não temos direito ao conhecimento existente em espaços como uma biblioteca. O grande desafio com politica pública no Brasil é como universalizar esses serviços.
São vários os fatores que contribuem para o que temos hoje no sentido de produções culturais. Qual é o papel das mídias neste processo?
Existe hoje um fenômeno que está em pleno curso, estamos vivendo isso agora, que é uma contraposição das novas mídias com as mídias tradicionais. Eu até prefiro chamar isso de um processo de convergência, porque existe um movimento das velhas mídias se incorporarem ao modo de fazer das novas mídias, o que acaba retardando um pouco o seu processo natural de derrocada e até, em alguns casos, ajuda a arremeter. Por outro lado, há o surgimento de milhões de novas possibilidades de interação e diálogo que não estão previstas nos sistemas estabelecidos. Acredito muito na convergência. Nem a velha mídia vai ser como era e nem a nova vai ser o que achava que seria.
Os livros já lançados
Mercado Cultural
Leonardo Brant aborda o lado social do investimento em cultura, analisa as leis de incentivo e oferece um guia completo sobre como patrocinar e vender projetos culturais. Lançado em 2004.
Diversidade Cultural
O livro disseca as relações internacionais e os efeitos da globalização sobre as culturas locais. Aponta caminhos para a discussão sobre diversidade no mundo. Lançado em 2005.
Políticas Culturais
Neste livro são colocados em pauta temas como cultura e globalização, mercado e sociedade, cultura e turismo, cultura e lazer, políticas culturais para a televisão. Lançado em 2002.
Chaves
A ideia de cultura, sempre moldada conforme as visões políticas de cada tempo, detém em si as chaves dos sistemas de poder. Chaves que podem abrir portas para a liberdade, para a equidade e para o diálogo. Mas também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação e à intolerância"Trecho do livro "O Poder da Cultura" Leonardo Brant
"Há o surgimento de milhões de novas possibilidades de interação e diálogo que não estão previstas nos sistemas estabelecidos"
"A nação brasileira nem sequer sabe o que é serviço cultural. Sabe o que é serviço de saúde, de educação. Fomos alijados desse direito"
Fomento
"O potencial simbólico de um povo e de uma nação está intimamente ligado a sua capacidade de desenvolvimento artístico, estético, de linguagem e de mercado. O Brasil precisa desenvolver fundos públicos autônomos, qualificados e com orçamento para lidar com essa emergência. O fomento não pode estar à mercê do mercado, tampouco sujeito às intempéries do governante de plantão"Trecho do livro "O Poder da Cultura" Leonardo Brant
Leia
Leonardo Brant - O Poder da Cultura
Editora Peirópolis 136 pág.
Quanto:R$ 27, em média.
Mais: opoderdacultura.com.br
Leia trechos do livro O Poder da Cultura, de Leonardo Brant
A ideia de cultura, sempre moldada conforme as visões políticas de cada tempo, detém em si as chaves dos sistemas de poder. Chaves que podem abrir portas para a liberdade, para a equidade e para o diálogo. Mas também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação e à intolerância.
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Culturas não são universais, modos de vida, costumes e crenças também não. Não por acaso, os direitos e liberdades culturais sejam os menos discutidos, celebrados e garantidos como parte indivisível dos direitos humanos. Costumo defini-los como quinta categoria desses direitos, pois seguem esquecidos, logo após os civis, políticos, econômicos e sociais, estes mais nobres, senão em efetividade, pelo menos em visibilidade.
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Uma nova possibilidade de democracia radical e direta forma-se nesse momento na web, por meio de blogs, mecanismos de rede, sistemas de troca de conteúdos culturais, permitindo o remix e novas formas de expressão, interação e participação política. Um movimento espontâneo da sociedade que evidencia a demanda por Cidadania Cultural.
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A centralidade da Lei de Incentivo na gestão das políticas públicas de cultura trouxe uma sensação de desvio de função do dinheiro público, pois as empresas eram incentivadas pelo próprio governo a utilizar eventos culturais como forma de comunicação empresarial, por meio de uma cartilha intitulada Cultura é Um Bom Negócio, cuja lógica funciona até os dias de hoje.
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A consolidação da economia como ciência dominante em nosso tempo fez com que lhe subordinássemos todas as outras formas de manifestação humana como fenômenos derivativos, seguindo uma lógica e uma codificação próprias. E com a cultura não foi diferente.
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A cultura do espetáculo firmou-se como um dos elementos mais marcantes da sociedade de consumo, sobretudo a partir do pós-guerra nos Estados Unidos. E tornou-se uma arma para conquista de mercados e, sobretudo, para disseminação do jeito americano de viver. Todo o movimento da contracultura valeu-se desse expediente, com artistas engajados pela paz.
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O potencial simbólico de um povo e de uma nação está intimamente ligado sua capacidade de desenvolvimento artístico, estético, de linguagem e de mercado. O Brasil precisa desenvolver fundos públicos autônomos, qualificados e com orçamento para lidar com essa emergência. O fomento não pode estar à mercê do mercado, tampouco sujeito às intempéries do governante de plantão.

sábado, 24 de abril de 2010

"É como tirar tinta e tela de pintores"

Ex-funcionários salvaram antiga fábrica e levaram dois anos para desenvolver filmes para as velhas câmeras Polaroid
Versão em preto e branco já está disponível; colorida sairá no segundo semestre; documentário traz instantes finais da estética Polaroid
NOVO PB
Fotografia "Paul and Aemily", de Josh Goleman, feita com novo filme preto e branco para as antigas câmeras instantâneas
SILAS MARTÍ
DA REPORTAGEM LOCAL FOLHA DE S.PAULO
Dias antes que desmontassem as máquinas da última fábrica da Polaroid no mundo, fechada há dois anos em Enschede, na Holanda, um grupo de ex-funcionários alugou o galpão para evitar que a linha de montagem virasse sucata. Florian Kaps e André Bosman, os heróis da festa de despedida, passaram os últimos dois anos quebrando a cabeça para reinventar um filme para as antigas máquinas de fotografia instantânea. E acabam de colocar no mercado um filme preto e branco compatível com as 300 milhões de Polaroid vendidas desde os anos 70.
Daqui a dois meses, prometem vender a versão colorida desse novo filme, provando o contrário do que diz o nome da empresa dos ex-funcionários, agora famosa no mundo todo como Impossible Project. "Foi uma invenção tão grande que era preciso preservar isso", conta Marlene Kelnreiter, que faz parte do Impossible Project, à Folha. "É muito diferente de tudo, a textura, o estilo, é impossível de manipular, é algo que fala por si mesmo."
Quando a Polaroid anunciou em 2008 que não fabricaria mais o filme para suas câmeras, causou uma onda de protestos entre fanáticos por sua estética embaçada, distorcida e ultracolorida, além de filas nas lojas. Fotógrafos fizeram estoques caseiros do filme ameaçado de extinção e criaram sites na internet como o Save Polaroid, em que publicam elogios apaixonados ao estilo Polaroid.
"Foi a primeira vez na história que um suporte artístico estava sendo arrancado à força das mãos de quem usava", lembra Grant Hamilton, documentarista que pretende narrar a morte e a ressurreição da Polaroid no filme "Time Zero", que lançará neste ano. "Era como tirar tinta e telas dos pintores."
Ele mesmo um fotógrafo, Hamilton confessa que entrou em pânico quando soube do fim da Polaroid e comprou 60 caixas de filme, guardadas até hoje na despensa de seu apartamento. Em seu documentário, registrou uma série de fotógrafos no suspiro derradeiro, ou seja, quando apertam o disparador para fazer a última foto com filme original. Também foi atrás de representantes da marca, mas ninguém quis falar.
Produtos químicos
Envolvida num esquema de lavagem de dinheiro pelo empresário Tom Petters, agora condenado a 50 anos de prisão, a Polaroid passou de mão e mão entre empresários e hoje trabalha só com fotografia digital. Sua última cartada mercadológica foi contratar a diva pop Lady Gaga como diretora criativa de uma de suas linhas, ou seja, trocou os velhos quadradinhos desbotados por uma estética mais plástica e fantástica.
Enquanto isso, o Impossible Project já circulou seus filmes entre artistas convidados para que pudessem comparar a versão reinventada à original. Mesmo sabendo a receita básica do filme, os novos técnicos não encontravam mais os produtos químicos da Polaroid e substituíram todos um a um até atingir um efeito parecido.
"É o que reclamam os músicos, que dizem que o vinil tem mais interesse do que aquela coisa "cool" do digital", diz Antonio Dias, artista que ainda não aderiu ao novo Polaroid e expõe agora, no Rio, uma série de imagens que fez nos anos 80 com o filme original. "É uma coisa muito imediata, não pode se arrepender e reconstruir."

THE IMPOSSIBLE PROJECT
Como comprar: filme com oito poses é vendido a US$ 21 (R$ 37) em www.the-impossible-project.com