sexta-feira, 9 de abril de 2010

Por que os donos do dinheiro da Lei Rouanet têm tanto poder?

Carlos Henrique Machado Freitas
“Com o fim da Lei Rouanet e a forte presença do Estado na cultura, tentemos entender especialmente por que e como a missa, sem músicas e folias, cavalga com mascara encenando o calvário do sinal dos tempos. Aonde estão as chaves de suas tradições e, sobretudo o que está por trás dessa corneta lisa, azeitada e trombeteira contra a regulação do Estado nas relações de poder da produção cultural brasileira?”

O paraíso perdido do “acertei no milhar”

O clube mais exclusivo do mundo, padrão-ouro, desequilibrou com obcecada eficiência e ferrenha ortodoxia neoliberal, o ambiente institucional das artes e letras. São reais as ligações de um clã que desestruturou a cena cultural que culminou na maior depressão que as artes brasileiras já viveram. Com rumo próprio e sensibilidade inglesa, atingem tragicamente a sociedade.

A inusitada premissa consiste na semelhança de enredo dos retorcidos pontos de uma tormenta financeirista, mas que aparece para a sociedade como doce canção. Então, a sociedade pergunta: como num título de canção do mercado “divino”, quem me roubou de mim?

Seria mesmo somente uma dramática história atual de ourofóbicos?

Saída do planeta das conquistas, essa ironia que dá ao papel o título de “Globo de Ouro”, a eficiência captadora assanha particularmente a busca por associações efetivas que não são miragens pela simples observação de que isso lhes rendeu verdadeiras fortunas nos últimos anos.

Lei Rouanet, a grande amiga dos ricos

Nós somos o povo! Grita um dos empresários captadores em suas muitas estratégias geopolíticas. Esta é uma mensagem de convivência civilizada que os captadores gritam contra o governo: não somos um Zé Qualquer! Eles assumem de maneira arrogante as práticas do regime totalitário. Somos nós, de forma concentrada e personificada, o modelo de progresso da cultura. Não há dúvidas, somos o sol!

O Estado regride as nossas práticas fronteiriças! Gritam eles batendo no peito como chimpanzés. Assim como mandamentos, essa coisa de se declarar sociedade civil organizada, quando não cafajeste, é, no mínimo um tropeço linguístico canastrão.

De qualquer forma é uma opinião expressa para tentar colocar o governo no paredão. Neste aborto discursivo é que se aninha a serpente. As turbulências mirabolantes de pueris ambições não conseguem disfarçar a traiçoeira guerra contra a democracia, o que sequer podemos classificar de força estranha.

Prefiro largar a neutralidade e revelar, como força contrária, o que há por trás do turbilhão de sutis achaques.

Por que chove tanto na horta dos rouanetes de São Paulo?

Seria uma rara combinação de fatores atmosféricos ou toda essa energia vem das linhas encharcadas com ameaças de golpe, com o título de “Revolução dos Cremes”?

Não devemos por em dúvida a eficácia do remédio, pois, como nos revelou Milton Santos: “logo após o golpe de 1964, muitos capitalistas de São Paulo, para gerir seus negócios, viram mais que dobrar os investimentos federais, em dinheiro puro, rumo aos seus negócios ”. Logicamente, essa concentração nas cantigas dos doces capitalistas, assim como nas dos captadores da Lei Rouanet, tentam reverter a imagem através das estatísticas, justificando que tais investimentos foram para o sudeste como um todo, mesmo que, neste período, o Brasil inteiro tenha assistido ao seu empobrecimento, sobretudo os trabalhadores do sudeste que fizeram saltar as estatísticas do favelamento nesta região sempre utilizada para justificar o injustificável, os 3% de privilegiados.

Quero deixar claro que essas chuvas benditas têm endereço certo como Prêmio Nobel do Caminho das Pedras, direto aos cofres dos mais ferrenhos capitalistas brasileiros. E nesta divisão fica a segunda parte do milagre divino, os raios todos atingiram uma, duas, três, quatro ou mais vezes a sociedade, ampliando assim as estatísticas de pobreza, como recentemente nas chuvas ocorridas em São Paulo, quando somente as periferias fatalmente sofreram com inúmeras inundações.

Mas como os nossos campeões em designer têm um desempenho turbinado pela grande mídia, eles transformam o trágico-grotesco em lúdico, com pequenas correções em pontos e vírgulas das matérias editadas. Assim, a saúde contratual não dependerá de concorrência. Esquivam-se das medidas fiscalizadoras e informam em nota o demonstrativo de uma aeronave que alcança o eterno céu de brigadeiro.

A estratégia é apresentar em rede nacional seus vídeos de prestimosa contribuição e liberdade sistêmica. São eles que aparecerão como inovadores oferecendo a saúde financeira ao alcance de todos. O combustível coadjuvante inseparável é a mentira comprada, emprestada, alugada, não importa. A manchete hipertrofiará as fundamentais dietas, falando com sotaque britânico na diminuição do Estado para que o mercado sinta-se sempre um menino cheio de vigor e espírito empreendedor sugando o sangue do estado!

O espírito do “pensei primeiro” é que dará a única e exclusiva culinária que equivale aos ingredientes do Top-10 da captação restituída.

Por isso, nada de constrangimentos, o objetivo deles será sempre levantar a bola da verdade capitalista e reagir contra as “bandeiras ideológicas” do governo. Mas, na verdade o alvo será sempre a nossa constituição. É este o conjunto de vozes que canta sem qualquer acompanhamento e forma o coro-a-capela dos nauseabundos da Lei Rouanet.

Sobre "Carlos Henrique Machado Freitas " http://www.myspace.com/carloshenriquemachado

Bandolinista, compositor e pesquisador.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Convite

A Biblioteca Abdias do Nascimento convida:

JAM da BAN

Venha curtir Boa Música e Prestigiar os trabalhos dos músicos locais, colaborando para a manutenção das atividades da Biblioteca Abdias do Nascimento.

Convidados Confirmados:

Banda Terreiro (Periperi – AfroPop)

Raízes dos Orixás (Dias D'Ávila - Axé Music)

Banda Clandestinos 5 (Plataforma - MPB/Pop)

Entre Outros

Data: 11 de abril de 2010

A partir das 13:30h

Local: Restaurante Popular - Cooperativa Guerreiras Zeferina

Cidade de Plástico Periperi (acesso pela Estação de Trem)

Ingressos: R$ 10,00

FAVOR CONFIRMAR PRESENÇA ANTECIPADAMENTE...

Informações: (71)8742-1045

e-mail: iya_ccan@yahoo.com.br

(confirme sua presença antecipadamente)

domingo, 4 de abril de 2010

Muito prazer, chocolate!

Esclareça dúvidas sobre essa delícia que produz sensação de bem-estar
Rachel Lopes
PERSONARE

Não há como fugir dele. E quem deseja? O chocolate está em toda parte: na mochila das crianças, nas fileiras de ovos de páscoa que se espalham nos supermercados e nos melhores locais de alimentação. Não há como resistir. A questão é saber até onde o chocolate pode auxiliar ou prejudicar a sua saúde. Cada vez mais temos informações diferentes acerca do chocolate, uns afirmam que faz mal, outros defendem que, se consumido com moderação, não só melhora as condições do funcionamento do corpo como auxilia na dieta.

Ganhe bem-estar consumindo a quantidade certa
Nutritivo, contém vitaminas e sais minerais, além de flavonóides, que são antioxidantes capazes de reduzir os riscos de doenças cardiovasculares. O chocolate ainda contém serotonina, que ao ser liberada ao corpo produz enorme sensação de bem-estar e prazer.

A Organização Mundial de Saúde não recomenda o consumo de nenhum tipo de doce, mas para quem não resiste, o importante é não ultrapassar o limite diário de até 50 gramas de chocolate para adultos e 14 gramas para crianças até três anos. Isso devido à grande quantidade de açúcar e gordura, que podem gerar impactos negativos no organismo. Dê preferência ao chocolate amargo que, por ter mais quantidade de cacau, apresenta teor mais alto de flavanóides.

Como equilibrar o organismo após os exageros na Páscoa
A páscoa é conhecida por ser a época do ano em que mais pessoas consomem chocolates, por isso, caso você ultrapasse seu limite diário, é importante buscar um equilíbrio alimentar no dia seguinte ao alto consumo. Uma dieta rica em proteínas, frutas e cereais ajuda no processo digestivo e gera um efeito positivo de desintoxicação alimentar. Sucos também são bem-vindos, pois oferecem ao corpo os sais minerais e vitaminas que ele precisa.
Dúvidas frequentes : É afrodisíaco? Prejudica a pele?
É importante também esclarecer a diferença entre "diet" e "light". O primeiro, por não ter açúcar na sua composição, precisa de um alto teor de gordura para ter uma composição semelhante ao original e são indicados para diabéticos. Já a versão "light", tem menos gordura e por conseqüência, menos calorias.

Outra dúvida muito frequente é se o chocolate dá espinhas. Não existe nenhum estudo científico que comprove a relação entre o alimento e o efeito na pele. Inclusive, existem alguns tratamentos para a pele que são realizados com as propriedades do chocolate. Usados desde a época de Cleópatra, na antiguidade, ele hidrata a pele ajudando a reduzir o ressecamento natural e o envelhecimento.

Uma crença também bastante popular diz respeito à ligação entre o chocolate e o sexo. Considerado um afrodisíaco, até hoje o que foi comprovado cientificamente é que como ele é capaz de liberar a serotonina, responsável pelo prazer, pode-se fazer alusão à fusão sexual. O chocolate estabiliza neurotransmissores relacionados a satisfação corporal, liberando endorfinas na corrente sanguinea.

A origem dos ovos de chocolate
Com a páscoa em evidência é interessante buscar a origem dos ovos de chocolate. A tradição surgiu em comemoração ao início da primavera há cerca de 3000 anos atrás, no Hemisfério Norte, onde eram ofertados ovos pintados ao povo e também aos deuses. As cores eram vibrantes em representação à vida, já que era o regresso de um inverno rigoroso, onde muitas perdas de entes queridos eram sentidas. No inverno, a natureza se encontrava repleta de neve e o retorno ao verão era a celebração de uma nova vida brotando.

Esta data coincide com o calendário cristão, representando a ressureição de Cristo. De geração em geração, ocorreram modificações e outros produtos entraram no circuito atendendo ao apelo de consumo da revolução industrial. Outros alimentos, como o chocolate substituíram o ovo animal. Nasceu assim, a tradição pascal que nos cerca de alegria.

SOBRE O AUTOR
Rachel  Lopes

Rachel Lopes

Apreciadora da gastronomia natural, atua como personal chef. Jornalista especializada em alimentação e saúde, está sempre se reciclando através de cursos culinários.

sábado, 3 de abril de 2010

Dicas para uma Páscoa saudável

Amanda Buonavoglia

Com a proximidade da Semana Santa, não faltam dúvidas sobre quais as opções mais saudáveis para consumir na Páscoa. As vitrines e mercados estão abarrotados de chocolates, então resistir a tentação e manter uma dieta equilibrada torna-se quase um desafio.

Na Sexta-feira Santa, tradicionalmente não devemos consumir carnes em geral, e sim, peixes. É uma ótima opção, por ser uma carne com menos gordura e, portanto, mais leve. Se você pretende preparar bacalhau, prefira a versão assada, acompanhada de legumes. As opções fritas ou gratinadas acrescentam muitas calorias e colesterol, por conta dos queijos e creme de leite.

Outras sugestões práticas são: peixe no forno (pescada, truta, namorado), temperados com sal e limão e assados com cebolas e batatas em rodelas. Se você aprecia salmão, tempere-o esfregando o sal, unte-o com um pouquinho de manteiga e complemente com alho poró em rodelas, que é bastante diurético, diminuindo os inchaços no corpo. São bons acompanhamentos: arroz integral ou arroz branco com legumes (enriqueça com fibras - diminuem a absorção de gordura e aumentam a saciedade - como abobrinha ralada, cenoura em cubinhos, ervilha, etc).

Chegou a Páscoa

Já no domingo de Páscoa, para que a comemoração seja inesquecível alimente também o coração das pessoas com uma bela decoração. Use flores frescas e capriche na escolha de pratos, taças e guardanapos diferentes. Decore a mesa com cenouras com ramalhetes e faça patinhas de farinha no chão para entreter as crianças.

Para este dia, sugiro um cardápio especial e levinho:

  • Salada de alface americana, rúcula ou agrião, tomate cereja partido ao meio, palmito, carambola cortada em estrelas.
  • Molho de mostarda e mel (2 colheres de sopa de maionese light, água o suficiente para dar ponto de molho, 1 colher de sobremesa de mostarda, 1 colher de chá de mel, suco de meio limão e sal à gosto)
  • Frango ou carne assada- decorar com farofa em volta. Há quem goste de fazer novamente peixe ou carnes diferentes como cordeiro.
  • Arroz branco, arroz com passas ou arroz com legumes. Ou então, o querido macarrão do domingo, que pode ser mais elaborado (exemplo: molho ao sugo com folhas de manjericão, azeitona preta e mussarela de búfala em rodelas)
  • Abacaxi cortado finamente, como "carpaccio" e raspas de limão.E delicie-se com um pouco de chocolate.
Quanto de chocolate posso comer?

Recomendamos pelos antioxidantes o chocolate meio amargo, que pode conter porcentagens diferentes de cacau. No mercado, existem boas marcas e preços diversos para esta opção. Agora, para quem quer emagrecer, é melhor comer pouco chocolate a chocolate diet, pois este contém mais gorduras e, consequentemente, mais calorias. Chocolate branco é o que mais tem manteiga de cacau, e não cacau, sendo a opção menos interessante.

O ideal máximo por dia de chocolate é 30 gramas, isso equivale a um bombom pequeno ou quatro quadradinhos de barra. Veja o peso do ovo e divida o número de porções.

Agora, caso tenha abusado, compense! São boas ideias: aumentar a atividade física - pode ser uma caminhada, uma volta de bicicleta, um passeio no parque. Ainda vale diminuir as porções das refeições, trocar o jantar por uma bela salada, ingerir mais água e caprichar nas hortaliças!

Boa Páscoa!

SOBRE O AUTOR

Amanda Buonavoglia

Nutricionista especialista em "Personal Diet" e Nutrição ampliada pela Antroposofia. Atua em consultório, escolas e ensinando pessoas a cozinhar de uma maneira mais saudável.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Indústrias Culturais Nacionais?

Leonardo Brant
Uma das principais características da indústria cultural é ser utilizada como instrumento promocional a serviço do consumo, sobretudo via meios de comunicação de massa e mercado de entretenimento. Questões que, segundo Jameson, são reveladas quando os investidores se limitam a observar o fator econômico da cultura, gerando uma demanda cada vez maior por produção cultural, além de tornar praticamente indistinguível a identificação entre os produtos provenientes dessa indústria e a cultura propriamente dita.

Determinar as necessidades, os desejos e os interesses do consumo cultural para fortalecer e a construir uma identidade globalizada, é a característica do novo modelo econômico que vemos atuando no atual mercado cultural nacional.

Nesse sentido, a questão central da problemática enfrentada pelos indicadores culturais acerca da economia da cultura é o novo quadro cultural globalizado. Esse cenário se configura por uma nítida posição de mercado cultural de bens de consumo, no qual, segundo George Yúdice a “cultura já não é nacional, mas particular, desse ou daquele grupo local, dessa ou daquela etnia, de mulheres etc”.

Essa nova postura econômica do mercado é identificada pela cultura do consumo como pertencente a um momento no qual as identidades culturais nacionais perderam espaço frente às constantes criações de símbolos e marcas de identificação global.

A questão que devemos levantar aqui é se o Brasil deve ou não incentivar uma indústria cultural própria, capaz de promover seus referenciais simbólicos e identitários ao nível da cultura de massa.

A crise econômica recente será uma oportunidade para revermos nossos sistemas de trocas e valores éticos, ou apenas uma brecha que se abre na economia mundial para novos agentes como Brasil, com economia estável, setor financeiro fortalecido e uma democracia em fase de consolidação?

* trecho do livro O Poder da Cultura.

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Hoje, 31/03/2010, o Golpe de 1964 completa anos.

Hoje, o Golpe de 1964 faz aniversário. Não há nada a comemorar, muito pelo contrário, mas recordar é preciso. A memória ajuda a não repetirmos erros nem cometermos novos.
Acorda amor, eu tive um pesadelo agora,
sonhei que tinha gente lá fora batendo no portão, que aflição
Era a "dura", numa muito escura viatura,
minha nossa santa criatura, chame o ladrão!
Acorda amor, não é mais pesadelo nada,
tem gente já no vão de escada fazendo confusão, que aflição,
são os "homens" e eu aqui parado de pijama,
eu não gosto de passar vexame, chame o ladrão!
Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer,
mas depois de um ano eu não vindo,
ponha a roupa de domingo e pode me esquecer...
("Acorda Amor", Chico Buarque).

BLACK BRASIL

Talvez muita gente não saiba, mas a Nike e a CBF lançaram mês passado o conjunto de camisas, calções, agasalhos, etc, chamado de "Black Pack", que será usado na Copa 2010 sempre que os jogadores estiverem fora de campo. A série de peças surpreende justamente pelo que o nome diz: é tudo preto! Mantendo apenas o escudo, as estrelas e outros detalhes em amarelo, a ideia é lembrar que esta cor (o amarelinho) é que dá medo nas outras seleções e com o sugestivo slogan de "Para os adversários do Brasil o futuro é negro!", as roupas já estão no site da marca. E aí, quem não conhecia, o que achou?!

Armandinho convida

Você sabe o que é que a Bahia tem?

Nova série de TV quer conhecer a Bahia com o olhar dos baianos

Com realização da Lima Comunicação e apoio da Secretaria do Planejamento (Seplan), Empresa Gráfica da Bahia (Egba) e da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), através do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) e da Fundação Pedro Calmon, estréia nesta quarta-feira (31), na TVE – Canal 2, o programa de TV Bahia de Todos os Cantos.

O programa pretende conhecer cada canto da Bahia com o olhar dos seus moradores, identificando as potencialidades, os caminhos para o desenvolvimento e os traços culturais tão diferentes de todas as “Bahias”. Com este objetivo, produtores, videastas, fotógrafos e jornalistas percorreram 12 territórios de identidade em busca de histórias sobre a diversidade baiana.

O resultado dessa descoberta poderá ser conferido a partir do próximo dia 31 de março, com o lançamento da série de TV Bahia de Todos os Cantos, que contempla 32 episódios com viagens a todos os territórios de identidade do Estado. A exibição ocorrerá todas as quartas-feiras (às 20h), com reprise aos sábados (às 8h30).

O conteúdo audiovisual surgiu a partir da Revista Bahia de Todos os Cantos que já está na quarta edição, e revela as potencialidades econômicas e culturais dos territórios baianos. A revista é distribuída gratuitamente para escolas públicas, bibliotecas, instituições e espaços culturais. "A divisão do imenso território baiano em territórios de identidade é uma opção estratégica do Governo baiano, seguindo o modelo do Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, o que tem garantido a execução das políticas públicas de forma igualitária nos diversos municípios. A Secretaria de Cultura adotou desde o início essa unidade de planejamento e tem obtido resultados positivos, contando com a adesão de gestores municipais e representantes territoriais", explica o secretário de Cultura, Márcio Meirelles.

A primeira série percorre os caminhos da Chapada Diamantina, Velho Chico e Sisal. Composta por quatro episódios, o programa apresenta a diversidade cultural através de caminhos distintos percorridos ao longo dos últimos seis meses. "Bahia de Todos os Cantos pretende identificar e revelar as peculiaridades de cada território, assim foi preciso a criação de um verdadeiro inventário da cultura popular, pesquisado entre viagens, telefonemas e principalmente histórias", explica Vânia Lima, jornalista e diretora da série.

Grade de exibição
1ª Temporada
Programa 31/03 e 03/04 – Chapada Diamantina
Programa 07/04 e 10/04 – Sisal
Programa 14/04 e 17/04 – Velho Chico
Programa 21/04 e 24/04 – Melhores Momentos Chapada Diamantina, Sisal e Velho Chico

2ª Temporada
Programa 28/04 e 01/05 – Região Metropolitana de Salvador
Programa 05/05 e 08/05 – Recôncavo
Programa 12/05 e 15/05 – Baixo Sul
Programa 19/05 e 22/05 – Melhores Momentos RMS, Recôncavo e Baixo Sul

*Territórios já visitados: Sisal, Velho Chico, Chapada Diamantina, Região Metropolitana de Salvador, Recôncavo, Baixo Sul, Portal do Sertão, Bacia do Jacuípe, Piemonte do Paraguaçu, Oeste, Sertão Produtivo e Litoral Sul.

Mais informações:

(71) 3116-6918/6919

www.fpc.ba.gov.br

sábado, 27 de março de 2010

A Hora do Planeta

Hoje, 27 de março, das 20h30 as 21h30, o mundo inteiro vai apagar as luzes e protestar contra o aquecimento global.
A Hora do Planeta 2009 teve meio bilhão de participantes em 88 paí­ses. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor e outros ficaram uma hora no escuro.
Com a sua ajuda, este ano vamos chegar a 1 bilhão de participantes. Será uma demonstração grandiosa de que a população do planeta exige o combate aos efeitos das mudanças climáticas.
Nós estamos neste movimento.
Entre no site www.horadoplaneta.org.br e junte-se a nós!

Rouanet X Procultura: O Certo pelo Duvidoso

Odilon Wagner
Projeto governamental revoga a Lei Rouanet, único mecanismo de financiamento à cultura do país, substituindo-o por um instrumento de manipulação ideológica.

A Lei Rouanet foi criada em tempos de Estado mínimo, pelas mãos de Fernando Collor. O mecanismo surgiu em substituição à Lei Sarney e veio acompanhado do maior desmanche institucional da história das políticas culturais brasileiras. A proposta de revogação da Lei enviada recentemente ao Congresso traz o gosto amargo de déjà vu.

Mecanismo complexo, de arquitetura simples e base conceitual sólida, a Lei Rouanet é dividida em três partes: o Mecenato, constituído de incentivo fiscal para doadores e patrocinadores; o Fundo Nacional de Cultura (FNC), que abarca os investimentos diretos do Estado; e o FICART, um ativador de investimentos financeiros para indústria cultural nacional, com motivação de lucro.

Por falta de uma gestão competente ou de vontade política, dois desses mecanismos, o FNC e o FICART, nunca atuaram adequadamente, transformando o Mecenato no único instrumento válido de financiamento público à cultura. Trocando em miúdos, foi aberto um só guichê para atender as mais diferentes áreas da produção cultural, todos disputando o mesmo pedaço do bolo, criando assim distorções que há muito tempo tenta-se corrigir.

O governo FHC distribuiu aos empresários uma cartilha chamada “Cultura é um bom negócio”, apresentando as vantagens do investimento em cultura com o incentivo público. Além de ativar as relações com as comunidades, as ações culturais patrocinadas traziam consigo o enorme potencial comunicador. Nascia o marketing cultural, comemorado por muitos como o ovo de Colombo da comunicação empresarial.

Já em 2002 lutávamos todos por mudanças na Lei Rouanet. Com a eleição de Lula e a promessa de correção de abusos e desvios, exceções que mancharam a credibilidade de milhares de artistas e produtores, gerou-se uma percepção pública equivocada da Lei. Porém esse mecanismo tornou-se a salvação da cultura nacional em tempos difíceis e ajudou a fomentar inúmeros empreendedores culturais, desde projetos comunitários à indústria do entretenimento.

Lutávamos na época pela autonomia da CNIC, comissão formada por membros da sociedade, encarregada da análise dos projetos. Seu poder foi cerceado na época do ministro Francisco Weffort e sufocado ainda mais na atual gestão. Exigíamos transparência na aplicação do Fundo Nacional de Cultura, uma nuvem (cada vez mais) carregada de interesses político-ideológico-partidários. Buscávamos a justa aplicação do Ficart, para que o Cirque du Soleil não disputasse o mesmo mercado dos produtores pequenos e independentes, como fez na atual gestão.

Nos últimos 7 anos, observamos o mecanismo crescer e se consolidar, enquanto um discurso inovador a respeito da arte e da cultura se propagava pela presença carismática de Gilberto Gil, à frente do Ministério da Cultura (MinC) no primeiro mandato de Lula. Nesse período vivenciamos inúmeros debates públicos com o ex-ministro, em que a importância do aprimoramento da gestão da Lei Rouanet, tanto pública quanto privada, era ressaltada.

Infelizmente o discurso contagiante do Ministro Gil não reverberava em seu próprio gabinete. Sucessivas portarias e decretos dificultaram a vida dos pleiteantes ao benefício público, que deveria ser amplo e indiscriminado. Um processo que antes demorava de 45 a 60 dias para aprovação, passou a demorar de 180 a 360 dias. Os custos com advogados, ligações telefônicas e passagens para Brasília tornaram-se obrigatórios para quem quisesse aprovar um projeto. Os entraves burocráticos criados pelo MinC transformaram-se na maior causa da restrição de acesso aos pequenos e “fora-do-eixo”. Os números do próprio MinC comprovam, que sob a ação da atual gestão, houve aumento da concentração nas regiões mais ricas no atual governo.

Aos poucos os pequenos produtores desistiram do mecenato e passaram a engrossar o coro, forjado pelo próprio governo, com a tese de que o mecanismo é, por natureza, elitista e concentrador. Amparados por um assistencialismo moldado à cara do freguês e por uma campanha publicitária milionária (a maior da história), o novo ministro, Juca Ferreira, correu o Brasil com um diagnóstico falso sobre a exclusão cultural brasileira, atribuindo à Lei Rouanet a responsabilidade por todos os problemas centenários da nossa frágil política cultural, com ênfase justamente àquilo que não conseguiu resolver ou enfrentar.

Com um verniz de participação democrática, o MinC lançou uma consulta pública e diz ter recebido mais de 2 mil contribuições. Sem apresentar transparência ou qualquer critério de qualificação das propostas, vem a público com um dos maiores atentados contra a causa pública já vivenciados no campo da cultura, digna de tempos colloridos: o engodo chamado Procultura.

A sociedade quer mudança. Espera por isso há longos 7 anos de governo Lula, motivada por compromisso eleitoral de 2002. Mas o projeto apresentado é inaceitável. O Procultura decreta o fim da Lei Rouanet e de todos os benefícios e conquistas caros à produção cultural brasileira. Torna a renúncia fiscal, antes permanente, em temporária, segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias e de Responsabilidade Fiscal.

Pela proposta, o Estado passaria a funcionar como co-patrocinador (sic), tomando decisões e definindo o perfil dos projetos a serem financiados. Uma atitude típica de regimes totalitários, que desejam impor sua visão de mundo aos demais, subtraindo do público e dos artistas a capacidade de expressão e escolha.

Além disso, diminui os benefícios de maneira abrupta e punitiva, justamente à classe de artistas e produtores mais necessitada, que não sobrevive sem o suporte de um sistema público de financiamento e amplia os benefícios para a parte lucrativa (FICART), criando uma disparidade enorme em relação aos outros mecanismos existentes no mercado, como a Lei de Incentivo ao Esporte e do Audiovisual, que continuam com os benefícios que o Procultura pretende cortar de maneira injustificada.

Marcado por forte presença estatal, o projeto exige contrapartidas dos patrocinadores, além daquelas que o próprio Estado é capaz de gerar, como, prestação de contas ao produtor cultural, divulgação de critérios e banca de seleção de projetos. O governo é o ente menos transparente no que tange a editais públicos.

Vale lembrar que em nenhum momento o MinC apresentou um estudo sequer, de avaliação da Lei Rouanet, evidenciando as supostas distorções, combatidas de maneira tão veemente. O que vimos foi um material publicitário com alto grau ideológico e com informações distorcidas. Não sabemos quais os interesses por trás da revogação do principal mecanismo de financiamento à cultura, mas é certo que a diversidade cultural, defendida de forma contundente pela propaganda oficial, será obviamente prejudicada com o fim do mecenato incentivado e a edição de um novo sistema altamente centralizador, anacrônico, burocratizante e estatizante, no pior sentido da palavra.

O PL é uma afronta à democracia, pois desinstitucionaliza e personaliza a gestão pública. A CNIC (comissão julgadora de projetos) por exemplo, passaria a atuar como uma rainha da Inglaterra. Cheia de pompa e circunstância, mas sem poder decisório, que caberia somente à pessoa do Ministro.

Nenhum dos itens questionados e exigidos pela sociedade são atendidos pelo projeto do governo. Ali não há um artigo sequer que garanta a distribuição correta e eficaz dos recursos públicos para as mãos de quem necessita.

Diante disso, não existe outra saída, senão enterrar o Procultura e fazer o que o MinC vem prometendo há 7 anos: uma reforma real da Lei Rouanet, baseada em estudos e pesquisas efetivas, que comprovem o impacto positivo das mudanças propostas.

* com Leonardo Brant.

** versão reduzida publicada sábado, dia 27 de março, na Folha de S.Paulo.

Sobre "Odilon Wagner " http://www.apti.org.br

Ator e produtor de teatro, Odilon Wagner é presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes (APTI).

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Poder do Mercado Cultural

Foto: Rafael Kage
Leonardo Brant
Cultura&Mercado
O reconhecimento da cultura como atividade econômica é muito recente. Até o início do século 20 a tratávamos apenas como patrimônio simbólico. Tanto nos estudos antropológicos quanto nos sociológicos, aprendemos a enxergá-la como coisa dada, o que está impresso em nossos códigos de convivência e consolidamos como civilização.

Arrisco-me a explorar uma outra dimensão que a cultura pode assumir a partir de uma visão mais ampla e contemporânea deste conceito. Refiro-me às dinâmicas de sociabilidade, às tecnologias de convivência, ao diálogo, às conversações em redes. Sistemas de intercâmbio e interrelação reforçados pelo surgimento das novas tecnologias, mas não exclusivos aos territórios virtuais.

Imaginar e expressar o futuro. Pensar cultura como um farol voltado para as novas formas de expressão e convivência que podemos construir a partir do conhecimento disponível. A ética como princípio norteador. A consolidação da economia como ciência dominante em nosso tempo fez com que lhe subordinássemos todas as outras formas de manifestação humana como fenômenos derivativos, seguindo uma lógica e uma codificação próprias. E com a cultura não foi diferente.

E daí vem a tentação de transformar ricas manifestações culturais em commodities baratas, manuseadas de maneira rasteira e linear por profissionais reprodutores de um conjunto de regras e tecnologias que só interessam à manutenção de um perverso sistema de poder, que se sustenta sobretudo pelo domínio dos meios de produção e distribuição de conteúdos culturais.

Mas o que é a economia senão um fenômeno cultural? O que são o dinheiro, o market share, a pontuação da bolsa de valores, senão valores simbólicos desprovidos de sentido fora de um conjunto de códigos rigorosos chamado “mercado”. Mergulhados nesse contexto, corremos o risco de perder a capacidade de desvendá-los e tornamo-nos apenas agentes de manutenção e disseminação de um sistema de valores linear, unilateral e desumano.

Nessa condição, o consumo consolida-se como a forma de expressão mais forte e presente, sobretudo nos grandes centros urbanos. A própria arte passa a ser ressignificada e vista como meio de produção e objeto de consumo. Corre, assim, o risco de perder a condição e a capacidade de revelar e traduzir a alma humana, suas contradições e riscos. De sua condição única e insubstituível de dar forma à utopia, passa a mera reprodutora de um sistema que o incapacita para o exercício desse olhar mais agudo e sensível.

O Brasil vivenciou na última década um grande salto quantitativo e qualitativo nas relações de trabalho na área cultural. Cultura, como atividade econômica, saiu do confinamento, ultrapassou fronteiras, mas ainda mantém vícios e dependências de uma atividade ligada aos poderes político e econômico.

O país entrou de forma definitiva no cardápio do entretenimento global. Um dos principais mercados das chamadas majors do cinema e da indústria fonográfica, o país vivencia a efervescência de uma nova Broadway tupiniquim, que já demonstra sinais de vitalidade. Do ponto de vista da exportação das artes e da cultura local, o momento atual nunca foi tão profícuo. Desde Paulo Coelho, um dos autores mais lidos da atualidade, até o futebol e a música, o Brasil nunca esteve tão em voga no cenário global.

O gestor cultural precisa estar atendo para valer-se dessas oportunidades. Participar ativamente do mercado da cultura sem estar a ele subordinado é uma das questões éticas mais difíceis ligadas ao cotidiano do gestor cultural. Por isso a necessidade de investir em um conjunto de ferramentas adequadas para lidar com a administração e o marketing, por exemplo, mas não sem fazer uma incursão mais profunda na questão ética.

Não há nada que influencie mais a conformação de um produto cultural do que o seu sistema de financiamento. Presume-se, por exemplo, que um filme distribuído por uma major norte-americana teve menos liberdade artística do que um filme independente. Este, por sua vez, terá mais dificuldades de conquistar público, justamente porque as salas comerciais pertencem às grandes distribuidoras. Um bom gestor cultural precisa saber manejar essas variáveis, que são inúmeras e complexas, a ponto de arquitetar novas dinâmicas que invertam a lógica do domínio e o aprisionamento da criação pelo capital.

Atuar na atividade cultural é algo que exige conhecimento genérico e específico, ao mesmo tempo. Saber balancear uma formação humanística ampla e consistente, capaz de apreender e decodificar nuanças, especificidades e contextos, necessários para compreender melhor a teia de relações e interesses onde está inserido, em especial os políticos e econômicos, com o conhecimento técnico, que o habilite e dialogar com todas as instâncias da sociedade.

É preciso buscar meios de destrinchar conceitos ligados ao manejo da questão simbólica e apresentar cenários capazes de representar realidades complexas e diversas, em detrimento das cartilhas de formação técnica e linear.

A atividade cultural exige agentes preparados e dispostos a pensar e atuar com base em novas possibilidades, mais complexas, múltiplas e coerentes com as questões colocadas pela sociedade contemporânea. Capazes de pensar uma nova agenda política para lidar com os desafios do mundo atual, articular setores governamentais, sociedade e mercado para atuarem alinhados em torno dessa agenda, além de desvendar a cultura como ponto de partida, como meio de construção dessa agenda e como eixo central dos novos paradigmas de desenvolvimento.

O segredo para sair da linearidade do mercado, talvez esteja no exercício de uma abordagem multidimensional para a atividade cultural. Ao implementar um processo de natureza cultural, o gestor deve estar apto a lidar com inúmeras vertentes que, juntas, conferem ao processo a riqueza necessária para desviar-se dessas armadilhas.

Qualquer atividade cultural, do Cirque du Soleil ao maracatu rural de Pernambuco, é parte integrante deste “conjunto distintivo de atributos materiais, espirituais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou grupo” definido pela UNESCO. Cuidar dessa dimensão é essencial para que não perca sentido dentro do próprio contexto social onde foi gerada.

Cuidar da dimensão econômica, por exemplo, já exige um outro olhar, mais voltado para os processos de produção, distribuição, troca, uso ou consumo dos bens simbólicos.Que pode ser complementado com um conjunto de instrumentos de apropriação desses bens.

Essa dimensão é complementar ao desenvolvimento artístico, à pesquisa de linguagem e à proposta estética que a atividade propõe. Que por sua vez não está desvinculada de valores éticos e morais, tampouco à sua dimensão cidadã. É preciso, sobretudo, entender esse ambiente da economia da cultura como algo em pleno processo de transformação e desenvolvimento.

Um mercado promissor, mas ainda incipiente, o que exige uma intensa articulação entre os membros dessa cadeia produtiva para a conquista de um olhar mais apurado da sociedade em relação à sua importância estratégica.

* trecho do livro O Poder da Cultura.

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A má educação

foto: orianomada
Leonardo Brant
Cultura&Mercado
Motivado pelo encontro internacional de gestão cultural, na última segunda-feira, no SESC-SP, quando o secretário de cultura do Estado de São Paulo proclamou o desvinculo da cultura com a educação, venho conversando com diversas pessoas a esse respeito. Vale recuperar aqui o diálogo com Ricardo Albuquerque, escritor, poeta, vice-presidente do Instituto Pensarte, coordenador-presidente da Coordenadoria de Organização de Espaços Sociais – CORES.

“Na secretaria de Cultura nosso foco são as artes. Não estamos preocupados com educação, que é um sistema congestionado, complicado. Estamos felizes pelo fato de estarmos separados dele”, afirmou Sayad.

“Também não queremos fazer turismo. Somos pressionados para atrair o turismo, mas nosso foco é a arte. Também não estamos preocupados nem com economia nem com emprego. Nossa preocupação é com o que não está na moda, com o que não chega às pessoas. Nos interessa tanto a Pinacoteca quanto o hip-hop.”

Matéria publicada ontem por Ana Paula Sousa, na Folha de S.Paulo, atiçou os ânimos e antecipou a disputa que se desenha no campo da cultura em tempos de eleição. Não quero cair nessa, mas aposto no gancho para continuar uma discussão que temos fomentado nos últimos meses.

Albuquerque é um intelectual ativo, daqueles que utilizam o conhecimento em campo, articulando e desenvolvendo a cultura política dos cidadãos. Devo muito dos meus questionamentos às nossas conversas, que adentram madrugada. Preocupa-nos muito a junção estratégica da cultura com a educação, sobretudo no que tange à retomada do Estado em sua responsabilidade cultural.

“Devemos encorajar as práticas culturais no processo de aprendizado e formação do indivíduo, reforçando tanto a dimensão cultural da educação quanto a função educativa da cultura. A escola é um espaço público, de natureza cultural, pertencente à comunidade. Apropriar-se desse espaço é direito e dever do cidadão e do Estado. A partir daí, devemos ressignificar o conceito de desenvolvimento, a partir dos aspectos culturais”, diz o escritor.

Bom momento para retomar a discussão e ampliar a visão do Estado em relação à cultura.

Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Amigos: família do coração

Amizade é uma forma de amor tão genuína quanto os laços de sangue
por Juliana Garcia

Certos amigos são tão íntimos e fazem parte de nosso cotidiano de forma tão natural que parecem membros da nossa família. Mesmo que não sejam "sangue do nosso sangue", certas pessoas nos parecem conhecidas de longa data, uma simpatia gratuita brota e se instala.

O amigo está ao nosso lado para compartilhar momentos únicos e transformá-los em inesquecíveis. Afinal, não é muito melhor presenciar um lindo pôr-do-sol tendo alguém especial ao lado para compartilhar aquela visão? Em certos momentos o amigo se converte um pouco em pai e mãe, dá conselhos, puxa a orelha, cuida da gente. Em outros, estamos mais de igual para igual e temos uma relação de quase irmãos: conversamos, sonhamos, brigamos, nos abrimos para pensar e solucionar, curtimos, corremos atrás, compartilhamos.

PARTE DA FAMÍLIA

Essas pessoas especiais não substituem seus familiares, mas sim se tornam uma extensão de seus laços de amor, ampliam sua noção de família e de fraternidade. Por vezes, acabam fazendo parte mesmo da família. É aquele amigo-irmão que ganha espaço no colo de uma segunda mãe e tem cadeira cativa nos eventos familiares. Amigo-irmão que já não sente vergonha de abrir a geladeira de sua casa se for preciso, sabe as datas de aniversário dos seus familiares, conhece o humor das pessoas da casa. De certo, acompanhará de perto as novas situações e estará por perto quando for preciso. Está presente para as conquistas e também nos momentos de dificuldade. Está junto para o silêncio e também para longas conversas.

Podemos até dizer que o amigo é um irmão que a vida nos dá a chance de escolher. Pensando por outro lado, a amizade, por ser uma forma de amor, não é bem escolha. Acontece e reconhecemos, é um presente da vida que optamos por aceitar. Um presente de enorme valor, é preciso ressaltar. Uma verdadeira amizade é um grande tesouro que traz mais humanidade às nossas vidas. Quem tem um amigo-irmão tem mais que companhia, tem um companheiro. Tem um laço que suplanta a existência ou não de laços consanguíneos, é a irmandade de valores, de ideais, um sentimento sincero de torcida pela felicidade do outro.

Aumentar nossa família através dos laços do coração é aumentar também a possibilidade de nos sentirmos à vontade e em casa ao lado de mais pessoas ao longo de nossa caminhada pela vida.

SOBRE O AUTOR
Juliana  Garcia

Juliana Garcia

Psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG.

terça-feira, 23 de março de 2010

Bazar Mercado da Xita

MERCADO DA XITA

O Bazar MERCADO DA XITA acontece nesse sábado e domingo, dias 27 e 28 de março, dentro do projeto IMAGEM FASHION – Semana de Arte e Moda promovido pela SALADEARTE em parceira com a MULTI. Um projeto de minha autoria que acontecerá anualmente.

O MERCADO pontuará o término deste evento que reuniu muitos profissionais e circulou pela cidade.

A seguir apresentamos a proposta.

Grande abraço,

Marcelo Hoog de Sá

Idealizador e curador

IMAGEM FASHION

Semana de Arte e Moda de Salvador

AMBIENTAÇÃO

A marca MERCADO DA XITA tem dois ícones UM MACACO - para propor o humor que o próprio evento trás – e a estampa do tecido XITA. Por isso irei dispor grandes painéis com várias estampas em tecido de xita no espaço externo que fica ao lado do hall no CINEMA DA UFBA.

Haverá projeção de filmes no paredão externo e também serão colocados refletores direcionados nas árvores e alguns mini refletores apontados para o teto, ampliando a luz que já existe.

A música ficará assim: a estilista Ana Bittencourt comanda seleção no sábado, e no domingo 28, o DJ Jerônimo faz o set.

ESPAÇO DO EXPOSITOR

Serão dois tipos de espaço:

- dispomos de 10 espaços delimitados no piso por carpetes em cores variadas na medida de 1,50 (frente) x 2,00 (profundidade)

- e dispomos de tampos em madeira – 0,80 x 2,10 - forrados de tecido onde dividiremos para dois expositores. Neste espaço exporão prioritariamente bijoux e objetos;

- no espaço delimitado no piso daremos prioridades para estilistas e artistas com peças de tamanhos variados.

- alunos do atelier de Waldo Robatto estarão vendendo e pintando quadros no local.

COMO PARTICIPAR

Se você tem conteúdo e quer participar, leia com atenção a nossa proposta e junte-se a nós.

1. O Mercado acontece dias 27 e 28 de março, das 17 às 22 horas;

2. Será cobrado uma Taxa de 100,00 (cem reais) em dinheiro + 50,00 (cinquenta reais) em produtos para todos os expositores, pelos dois dias de exposição.

3. Essa taxa deve ser paga até sexta-feira, dia 26, das 20 às 22 horas, no Cinema da UFBA. Estarei lá!

CONVOCAÇÃO AOS EXPOSITORES

1. A reunião com os expositores acontecerá na sexta-feira às 20h no Cinema da UFBA.

USO DO ESTACIONAMENTO

1. O estacionamento é gratuito, mas na manhã de sábado sempre esta lotado, devido aos cursos do Pavilhão de Aulas. Portanto leve tudo na sexta à noite – a partir das 20 horas - e os produtos leve no sábado a partir das 14:30. Depois deixe seu carro no estacionamento em frente ao curso de administração, ao lado do Pavilhão de Aulas (PAC).

2. Nas tarde de sábado e domingo dispomos de todo o espaço..é uma beleza só.

A DIVULGAÇÃO

1. Foram impressos 10.000 programas com todo o conteúdo do Imagem Fashion, além de 10 mil folhetos onde citamos o item MERCADO DA XITA.

2. Houve também chamada do IMAGEM FASHION no caderno MUITO, do Jornal A TARDE, dia 21 ;

3. Na quinta, 25, teremos distribuição de 5.000 flyers do Mercado. A ação acontecerá em frente a teatros e em todas as salas do circuito;

4. Selecionamos filmes especiais para desta semana, assim garantimos circulação espontânea.

5. Serão eles:

FILME

HORÁRIO

Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos

14:30

Direito de Amar

16:20

Soul Kitchen

18:30

Direito de Amar

20:30

Para saber mais dos filmes acesse o nosso site: www.saladearte.art.br

A MONTAGEM

1. Iniciaremos a montagem, da estrutura, na sexta feira (dia 26) das 20 às 23 horas. Haverá vigilância especial, as pessoas que quiserem levar alguma peça: arara ou mobiliário, devem levar na sexta mesmo. Estarei lá, com uma assistente de produção que receberá os pagamentos e inscrições dos expositores.

A DESMONTAGEM

1. Iniciaremos a desmontagem no domingo, dia 22, a partir das 22:30.